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As rosas da Rainha Santa Isabel
22.07.2021
Existem santos desde que existe a Igreja. Pessoas boas, de carácter, que servem de exemplo de fé, dedicação, empenho, a todos quantos professam a fé católica, e não só... E Portugal não foge à regra. São 9 os santos portugueses, canonizados pela Igreja Católica, 10 se contarmos com a exceção de Santa Joana Princesa, que, apesar de ser chamada de santa, é apenas beata.
Para melhor os conhecermos, percorremos o país à procura dos seus locais de origem, do que ainda pode ser visitado, a fim de que se possa conhecer melhor cada um deles. É uma boa sugestão de viagem para a família, pois alia a beleza do nosso país e do património religioso às histórias destas figuras que tanto nos podem inspirar a todos.




“São rosas, Senhor, são rosas”. Esta será, provavelmente, a frase mais conhecida de Isabel, rainha de Portugal. É em Coimbra que repousa a Rainha Santa, como é conhecida, no mosteiro de Santa Clara o Novo. Não nasceu portuguesa, a rainha, mas aos 11 anos casou por procuração com D. Dinis, e um tempo depois veio para o nosso país, pelo que poucos serão os que a consideram espanhola.

Vitral na Igreja do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Foto © Ricardo Perna
Possuidora de um dom para a intermediação da paz, e para a ajuda aos mais carenciados, a questão da proximidade do povo em vida foi o que fez que, após a sua morte, a fama de santidade tenha crescido ainda mais. Enquanto rainha, não era esperado que estivesse tão próxima do povo, mas verdade é que descia dos seus aposentos e ia ao encontro dos mais necessitados, de quem ela cuidava com as suas próprias mãos. E é destes gestos que não caíam junto do rei que surge o famoso milagre das rosas. Apanhada uma noite a sair dos seus aposentos para uma ronda junto dos mais necessitados, enquanto transportava um punhado de pães no seu regaço, D. Dinis, o marido, que não aprovava estes gestos, perguntou-lhe o que ela levava ali. Respondeu "são rosas, Senhor", e, quando o rei foi ver, eram mesmo rosas que ali estavam, em vez dos pães.

No Mosteiro de Santa Clara o Novo, construído em virtude de o antigo estar constantemente a ser submergido pelas águas do Mondego, o seu corpo incorrupto está colocado num túmulo que atrai visitantes e devotos de todo o mundo.

O mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Foto @Shutterstock
Com a sua canonização em 1625, quase 300 anos depois da sua morte, o seu túmulo foi aberto em 1612, tendo-se verificado que estava incorrupto. Até aos dias de hoje, ele mantém-se incorrupto, tendo sido atestado isso pela última vez nos anos 30, quando o seu corpo foi colocado no atual túmulo de prata.

A sua mão direita, que descaiu na altura da trasladação em 1696, manteve-se assim por ordem de D. Pedro II, sendo venerada por todos os devotos e tendo estado visível em 2016, na altura das comemorações dos 500 anos da sua canonização.

Por trás da imagem, o túmulo onde o corpo da Rainha Santa Isabel permanece incorrupto. Foto © Ricardo Perna

 
Para visitar e conhecer melhor a Rainha Santa Isabel:
Mosteiro de Santa Clara-a-Nova: Calçada Santa Isabel, 3040-270 Coimbra
Texto: Ricardo Perna
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