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Vida Cristã
Aulas de EMRC nas escolas públicas?
04.05.2016
Uma das grandes preocupações da Igreja, sobretudo a partir de finais do séc. XIX, tem sido a da formação cristã. De facto, para ser cristão não basta receber os sacramentos, nas diversas etapas da vida, e frequentar a Missa dominical, como forma de ser considerado católico praticante. O grande paradigma do cristão está no mandamento do amor, porque é nesta relação com os outros que se manifesta a verdadeira prática cristã.

Assim sendo, há duas estruturas de formação cristã: a catequese nas diversas idades que é sempre iniciação e reiniciação cristã, mas também tempos de reflexão sobre a intervenção dos cristãos na sociedade. Para esta segunda estrutura de formação, a Igreja tem inúmeras iniciativas: conferências, seminários, ciclos de cultura, congressos e tantas outras coisas. É nesta perspetiva que para as crianças e adolescentes a Igreja propõe ter aulas de educação moral e religiosa católica, mesmo nas escolas públicas. Através destas aulas tem-se oportunidade de conhecer a História da Igreja e de todas as outras religiões, aprofundando também as características da pessoa de Jesus Cristo com a Boa Nova que Ele veio anunciar, alicerçada na verdade, na justiça, na liberdade e no amor. Os cristãos podem e devem ter uma formação religiosa, mas não podem prescindir da formação cultural que exige conhecimento da pessoa de Jesus, da responsabilidade da Igreja através dos séculos, do papel dos cristãos no mundo socioeconómico e político, da relação para com as pessoas da sociedade e dos grandes acontecimentos do mundo.

As aulas de educação moral e religiosa católica não são sessões de catequese, são antes oportunidade de aprofundamento cultural com o envolvimento no mundo atual onde se vive. Hoje, há inúmeras questões para as quais vale a pena ter uma visão cristã. É o caso de olhar para a origem do universo, quer numa perspetiva criacionista quer de uma maneira evolucionista, como pretende a ciência. Também é importante para o cristão saber o porquê das religiões, como surgiu o monoteísmo, cultivado pelas três religiões de maior influência no mundo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.



Agora, pode perguntar-se se numa escola pública tem sentido uma aula com estas características. Uma escola tem o dever de fazer não só uma educação cognitiva, transmitindo conceitos e acontecimentos científicos, mas também uma formação integral, que não exclua o cultural, o social, o espiritual e mesmo o religioso. A educação moral e religiosa dirige-se aos alunos de cada religião. É lógico, então, que sendo a maioria dos alunos de origem católica, esta seja uma componente da educação integral. Atualmente, nas escolas públicas em Portugal, há aulas de outras religiões, desde que sejam pedidas pelos pais dos alunos.
Portanto, no contexto de uma formação integral, a aula de educação moral e religiosa faz parte do normal currículo num processo educativo.

A terminar, dir-se-á apenas que esta orientação está assumida pelo Estado Português através da Concordata entre a Santa Sé e o Estado. Quer na Concordata de 1940, quer na revisão concordatária de 2004, esta orientação ficou assente na lei e, por isso, deve ser respeitada sempre.
Mons. Feytor Pinto, pároco do Campo Grande, em Lisboa
Fotos: Educris
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