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Bispo de Leiria-Fátima espera comportamento «exemplar» dos peregrinos
01.10.2020
O bispo da Diocese de Leiria-Fátima espera um comportamento «exemplar» e «sentido de responsabilidade» dos peregrinos que queiram participar nas celebrações do 13 de outubro, lembrando que a pandemia obriga a limitar o acesso à Cova da Iria. «Este outubro teremos de ter algumas restrições, para que a peregrinação, no respeito pelas indicações das autoridades de saúde, não constitua um perigo acrescido de contágio», indica o  cardeal D. António Marto, numa mensagem divulgada hoje pelo Santuário de Fátima nas redes sociais.



Nas celebrações da peregrinação apenas estarão, na noite do dia 12 e na manhã do dia 13, cerca de 6000 pessoas, em cada dia. Haverá lugares marcados e um espaçamento idêntico ao plano de contingência da Festa do Avante, com cada pessoa, ou família coabitante, num espaço de 8m2. «Por força das circunstâncias, o número de peregrinos que poderá entrar no recinto será limitado. Não pode haver reserva prévia de lugares, mas haverá marcação de espaços, que se podem ocupar para que seja mantida segurança entre todos», indica D. António Marto.

O bispo de Leiria-Fátima evoca o «sentido de responsabilidade pela saúde pública» que se manifestou a 13 de maio, quando a peregrinação decorreu sem a presença de peregrinos, recordando que se verifica agora um novo «aumento muito significativo de doentes» de Covid-19, pelo que é preciso evitar «grandes ajuntamentos e multidões».

O responsável destaca que o acesso ao Recinto do Santuário «será condicionado e entrarão peregrinos até ser atingido o número máximo» previsto nas medidas adicionais ao Plano de Contingência, em vigor desde maio, no Santuário de Fátima. «Sei que para muitos, que não poderão entrar, será mais uma prova dolorosa a enfrentar. Eu peço-vos que encaremos esta situação com fé e com responsabilidade cívica. Também para nós, responsáveis pelo Santuário de Fátima, é doloroso ter de tomar estas decisões, já que a nossa missão é acolher os peregrinos», refere o cardeal.

D. António Marto evoca as dificuldades provocadas pela Covid-19, como a «doença, o desemprego, as dificuldades económicas, morte de pessoas queridas, suspensão de costumes que nos são caros», até na forma como os católicos celebram a sua fé. «Contamos com a oração de todos. Estamos certos de que, passados estes tempos de pandemia, poderemos voltar a celebrar juntos neste lugar tão significativo, sem as atuais restrições e com todos os que queiram vir», aponta.

Lugares marcados e entradas controladas
A peregrinação de outubro, que evoca a sexta e última aparição de Nossas Senhora aos Pastorinhos, em 1917, será presidida por D. José Ornelas, bispo da Diocese de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

Num vídeo publicado no seu site, o santuário anuncia que haverá medidas extra ao plano de contingência já em vigor, em virtude da expetativa de um ajuntamento de peregrinos grande, à semelhança do que sucedeu em setembro, quando o santuário se viu obrigado a fechar os acessos ao recinto durante a celebração, em virtude do excesso de pessoas presentes.

As medidas, agora anunciadas em comunicado e que foram validadas após reuniões com a Direção-Geral de Saúde, passam por: «um reforço da sinalética; a delimitação de espaços, com perímetros de segurança e marcações no solo, para uma disposição uniforme da assembleia, no Recinto de Oração; um controlo e monitorização dos acessos através de oito entradas; a limitação das deslocações dentro do Recinto e o controlo, pelas forças de segurança, de aproximação às zonas limítrofes do Santuário». «Estas medidas adicionais têm como objetivo minimizar o risco de transmissão de infeção da Covid-19 entre os participantes nas celebrações desta peregrinação. A proteção da saúde dos peregrinos e de todos quantos trabalham no Santuário tem sido, de resto, uma preocupação constante do Santuário. Neste sentido, tendo em conta a situação epidemiológica atual, vemo-nos forçados a restringir o acesso dos peregrinos, limitando o número de participantes nas celebrações da peregrinação”, lê-se no comunicado.

No parecer técnico da Direção-Geral da Saúde, que o Santuário publica no seu site, pode ler-se que a DGS recomenda a interdição da Capelinha das Aparições e dos «espaços de cumprimento de Promessas» por considerar que «têm maior risco de aglomeração de pessoas». Questionado pela Família Cristã sobre esta indicação, o Santuário esclarece que «o anel de segurança ao redor da Capelinha das Aparições já estava mais alargado» e já não havia peregrinos na capelinha, mas que «não haverá interdição do espaço», já que lá estarão todos os intervenientes nas celebrações, seja na recitação do rosário internacional de dia 12 à noite, que terá muitos participantes, «em virtude de ser recitado em várias línguas», seja no dia 13 de manhã. Quanto ao corredor habitualmente utilizado pelos peregrinos para o cumprimento de promessas de joelhos, também não estará vedado, já que, diz o santuário, «faz parte do espaço do recinto».

Durante a eucaristia, é pedido aos fiéis que se mantenham no seu lugar sempre, não acompanhando a imagem nas procissões de entrada e de saída, nem se deslocando para a comunhão. «No momento da Comunhão, os Celebrantes/Ministros da Comunhão devem dirigir-se junto dos participantes, que devem manter-se nos seus lugares, ou seja, nos círculos respetivos, para evitar a formação de aglomerados e de filas de espera, sendo por isso necessário assegurar um número de Ministros da Comunhão suficiente e adequado», refere o parecer técnico da DGS.

O comunicado, lido pela porta-voz do Santuário, Carmo Rodeia, termina com um pedido de «intercessão» a Nossa Senhora «para que em breve os peregrinos, portugueses e estrangeiros, possam regressar a Fátima em segurança e sem constrangimentos para celebrarmos juntos a nossa fé».



 
Texto e foto: Ricardo Perna

Notícia atualizada às 13h09 com declarações do Santuário sobre as sugestões de interdição do parecer técnico da DGS
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