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Bispo de Setúbal em isolamento voluntário
14.03.2020
O bispo de Setubal, D. José Ornelas, é o primeiro bispo português a anunciar que está em isolamento. O prelado está em «isolamento precaucional» após «ter participado num encontro com uma pessoa, a qual estivera numa reunião com outra pessoa que, entretanto, foi diagnosticada como tendo o vírus». Apesar de acrescentar que «a pessoa com quem contactei não tem nenhum sintoma do vírus», D. José Ornelas estará isolado, por precaução, até ao próximo dia 18 de março, segundo informa o próprio numa nota emitida no site da diocese, por ser nessa altura que se completam os 14 dias de possível incubação do vírus.


O aviso surge numa nota que atualiza as indicações da diocese aos organismos diocesanos e aos fiéis, onde D. José Ornelas quer «tornar presente a solidariedade e a esperança que estão no centro da vida cristã e, ao mesmo tempo, evitar colocar em perigo a saúde e a vida, tanto das pessoas de quem se pretende cuidar, como a integridade dos cuidadores, tendo em conta que, se estes últimos forem contagiados, poderão tornar-se agentes de contágio para as outras pessoas com quem  contactarem.

O bispo de Setúbal diz que, com a suspensão das missas comunitárias implementada pela Conferência Episcopal Portuguesa, os sacerdotes «continuarão a celebrar diariamente a Eucaristia,» mas «sem a presença de leigos, ou com um reduzido número de acompanhantes, devidamente instruídos nos cuidados de proteção do vírus».

Em Setúbal as igrejas paroquiais «poderão ficar abertas, em períodos convenientes, para a oração pessoal ou em família, bem como para encontros pessoais com o pároco», mas pede que se evitem «o aglomerado de pessoas», e avisa que as «as confissões quaresmais serão adiadas para tempo oportuno», embora peça que, «com as precauções devidas, não se deixe faltar a possibilidade de reconciliação a quem a solicita».

A nota pastoral informa ainda que «a Cúria diocesana e o Tribunal diocesano estarão encerrados ao público, embora o contacto seja sempre possível pelo telefone ou internet, como habitualmente. Recomenda-se que não se desloquem à Cúria antes de expor, telefonicamente ou por e-mail, o assunto a tratar», e que «os serviços diocesanos, as paróquias e movimentos, procurarão, na medida do possível, proporcionar meios de ajuda à reflexão, ao acompanhamento da liturgia dominical e diária, para além daqueles que já são do nosso conhecimento na televisão, rádio e sítios de referência na internet.

No final, uma reflexão. «Tempo de pandemia não é tempo sem Deus. Pelo contrário, a comunhão com Ele é fundamental para que todos os outros esforços atinjam o seu fim de libertar as pessoas de tudo o que as impede de terem uma vida íntegra, no corpo e no Espírito. Neste tempo de quaresma, que nos convida à conversão e ao cuidado dos que mais precisam, a par das indispensáveis atitudes de responsabilidade cívica para tornar possível vencer a atual pandemia, deixemos que a Palavra de Deus e a oração nos aproximem d’Aquele que é fonte da vida, da paz e da energia necessária para vencer as dificuldades. Tenhamos bem presentes, na estima e na oração os profissionais de saúde, que denodada e atentamente atendem os doentes, com risco da própria saúde e vida», conclui a nota.

Pode ver como estão as dioceses a preparar-se para evitar o contágio do Covid-19 clicando aqui.
Texto e foto: Ricardo Perna
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