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Bispos não querem cemitérios fechados «por respeito aos direitos dos cidadãos»
12.10.2020
O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa emitiu hoje uma nota onde exprime o seu desejo de que os cemitérios fiquem abertos nas solenidades de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos que se aproximam. «Confiamos, porém, que as autarquias e entidades que os tutelam saberão interpretar as exigências do bem comum encontrando um justo, mas difícil equilíbrio entre os imperativos de proteger a saúde pública e o respeito pelos direitos dos cidadãos», escrevem os bispos na nota divulgada aos órgãos de comunicação social.


Segundo os bispos, «não se adoece apenas de COVID-19». «A impossibilidade de exprimir de forma sensível e concreta saudades e afetos também é causa de sofrimento e de doença, por vezes grave e até mortal», pode ler-se na Nota.

O pedido surge numa altura em que aumentam os casos de COVID no nosso país e se aproxima uma época que, por tradição, junta muitas pessoas nos cemitérios. Neste sentido, «dado o estado atual da pandemia, é sensato que se imponham medidas suplementares de proteção, como a obrigatoriedade do uso de máscaras e o controlo do número de visitantes, em simultâneo, estabelecendo um limite máximo, conforme a dimensão dos espaços», mas defendem que «não seria apropriado o encerramento completo dos cemitérios», pois «a emergência sanitária já dura desde março» e «muitas famílias enlutadas neste período nem sequer puderam acompanhar adequadamente os seus entes queridos em exéquias muitas vezes celebradas, como diz o Papa Francisco, de um modo que fere a alma».

No que diz respeito às celebrações que costumam juntar muitas pessoas em especial no dia 1, feriado, os bispos pedem aos sacerdotes que considerem a hipótese «aumentar a oferta» em «horários que sejam mais convenientes à comunidade» e eventualmente em locais diferentes. «Para diminuir ocasiões de maior aglomeração de pessoas, recomendamos aos párocos que considerem nestes dias, em coordenação com as autoridades locais, a possibilidade de celebrar a Eucaristia nos cemitérios».

Os bispos não esquecem as muitas romarias que se realizam um pouco por todo o país. «Quanto às romagens que é costume realizar nos cemitérios em sufrágio dos Fiéis Defuntos, sugerimos que se façam com acompanhamento mínimo, respeitando sempre as normas de segurança e de saúde», pedem.

A nota termina a relembrar que, no dia 14 de novembro, a Conferência Episcopal Portuguesa celebrará «uma Eucaristia de sufrágio pelas vítimas da pandemia em Portugal», às 11 horas, na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima.

 
Texto e foto: Ricardo Perna
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