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Braga quer sacerdotes na «linha da frente» pastoral
07.08.2020
D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, publicou a nota pastoral «Hora de ir recomeçando», com as primeiras indicações pastorais para a fase de desconfinamento que agora se começa a fazer também na Igreja.

Foto de Arquivo
«Não podemos ter pressa nem ser precipitados», começa por dizer, aconselhando a leitura das orientações da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que partilha nesta nota como suas também. Em linha com a CEP, refere que «não é oportuno celebrar missas com o povo, particularmente ao Domingo», e que tal só será possível a partir de 30 de maio.

No entanto, é preciso começar a preparar «os espaços litúrgicos para a reabertura», que acontece desde já para visitas individuais, para as quais D. Jorge dá indicações específicas, nomeadamente a criação de uma «equipa de acolhimento que orientará as pessoas, e a colocação de «avisos sobre como as pessoas se deverão movimentar».

Para além disso, as igrejas devem «colocar os bancos de forma a evitar aglomerados de pessoas e permitindo que estas se mantenham à distância de dois metros», «ter as portas abertas de tal modo que ninguém precise de tocar nelas para entrar ou sair», assim como «colocar à entrada da porta um cartaz com instruções» para quem visita o espaço.

O arcebispo de Braga quer todos os sacerdotes na «linha da frente» do trabalho pastoral. «Os sacerdotes devem estruturar a sua vida para estarem na linha da frente. Tudo deve ser aproveitado para testemunhar a nossa proximidade de pastores, estando junto das ovelhas. Mesmo sem proximidade física, há sempre modos de inventar gestos que mostrem que o amor não é uma simples palavra», escreve o arcebispo, que pede «criatividade pastoral» para ir ao encontro de todos os fiéis.

Para isso, aconselha o uso contínuo de máscaras e quer oferecer uma viseira a cada sacerdote da arquidiocese. «É mais um sinal para encararmos a situação com esmerada preocupação. Usemo-la! É um sinal de amor aos nossos paroquianos e a todas as pessoas», escreve.

Em Braga, o seu arcebispo pede um «acompanhamento pastoral» que vá ao encontro das pessoas nas suas circunstâncias reais». «Podemos ser chamados a atender necessidades imediatas (alimentos, rendas, medicamentos) como as mais profundas, muitas vezes latentes (luto, desemprego, depressão). Há que procurar, na medida do possível, ajudar pessoas e famílias concretas a reencontrarem um projeto de vida fecundo e feliz», exorta D. Jorge Ortiga nesta Nota, pedindo aos sacerdotes que estimulem os grupos da pastoral social «que já existem e tanto bem fazem nas comunidades cristãs» a acompanhar os sacerdotes nesse acompanhamento. Ao mesmo tempo, lamenta que «em muitas paróquias ainda não existe um núcleo operativo da pastoral social». «Esta situação de confinamento deverá levar-nos a um sério exame de consciência sobre esta responsabilidade», defende.

Foto de Arquivo
Ainda na parte dos projetos, D. Jorge Ortiga mostra-se preocupado com a questão financeira e lança a ideia de estruturar «um fundo paroquial capaz de responder a estas e outras necessidades». «Com a perda de emprego ou diminuição de trabalho, assistiremos a situações de desemprego que gerarão pobreza e fome. Urge que encontremos modos de responder às necessidades sem envergonhar ninguém», pede.

À medida que o tempo passa, o excesso de confiança pode levar a um relaxamento das medidas de higiene segurança, e D. Jorge Ortiga avisa contra isso. «Não podemos condescender com facilitismos na nossa vida pessoal e na relação com os outros. Haverá sempre novas regras de higiene, saúde e segurança que deveremos conhecer e respeitar. As restrições não condicionam a liberdade quando sabemos que um bem maior está em causa», afirma.

Estes novos tempos devem, segundo o prelado, permitir a criação de «novos hábitos pastorais, uma vez que a sociedade não vai ser o que era» e «muita coisa vai mudar». «A renovação inadiável que estamos a interpretar sugere-nos que aproveitemos este tempo para ultrapassar rotinas já não adequadas e criarmos novos dinamismos que manifestem uma pastoral em consonância com a época nova que vivemos. Temos a responsabilidade de antecipar os tempos. Não tenhamos medo e sejamos audazes, sempre abertos a novas experiências», escreve D. Jorge Ortiga.

O arcebispo pede, no entanto, uma «criatividade pastoral fiel à doutrina eclesial», e exorta a que esta criatividade seja partilhada, depois de experimentada, com todos os outros sacerdotes. «O fundamental é que estes tempos se tornem uma graça para que, como crentes, cresçamos no conhecimento e vivência da Palavra, assim como no amor concreto aos outros, conscientes de que isto poderá exigir muitos sacrifícios e renúncias a gostos e hábitos. Trabalhemos para que isso aconteça», exorta.

A concluir, a certeza que «sairemos deste momento muito mais unidos e empenhados na alegria do anúncio do Evangelho».
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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