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Cada coisa tem o seu tempo
28.01.2019
A Palavra de Deus é luz e guia, conforto e desassossego, companhia segura para mais um ano civil que inicia.
 
A Palavra de Deus ajuda-nos a distinguir o essencial do assessório, o importante do urgente, o superficial do profundo. Ajuda-nos ao discernimento. Como por exemplo esta belíssima página do Livro do Eclesiastes:
 
Debaixo do céu há momentos para tudo,
e tempo certo para cada coisa:
Tempo para nascer e tempo para morrer.
Tempo para plantar e tempo para arrancar as plantas.
Tempo para matar e tempo para curar.
Tempo para destruir e tempo para construir.
Tempo para chorar e tempo para rir.
Tempo para gemer e tempo para bailar.
Tempo para atirar pedras e tempo para apanhar pedras.
Tempo para abraçar e tempo para se separar.
Tempo para ganhar e tempo para perder.
Tempo para guardar e tempo para deitar fora.
Tempo para rasgar e tempo para coser.
Tempo para calar e tempo para falar.
Tempo para amar e tempo para odiar.
Tempo para a guerra e tempo para a paz. (Ecl 3,1-8)

 
O sentido deste trecho é claro: de acordo com as circunstâncias, as ações podem parecer ao ser humano convenientes ou não. O autor sagrado diz que todas as coisas são belas, mas «a seu tempo», que quer dizer, é preciso saber discernir.

O discernimento, para o teólogo Giuseppe Angelini, é a qualidade da alma que permite reconhecer em cada circunstância o que nos convém fazer, e sobretudo alerta-nos que em cada circunstância convém mesmo fazer qualquer coisa, isto é, tomar uma decisão.

A dificuldade em saber discernir reside precisamente na falta de pôr em prática esta virtude, vivendo como espectadores da nossa vida e não como protagonistas da mesma. Por isso é que para descobrir o que convém na nossa vida é preciso ter a coragem das próprias escolhas e alicerçar essas escolhas no confronto com a realidade. Só desta maneira poderemos deixar crescer, aprofundar, corrigir ou alterar as decisões na nossa vida.

A cultura do nosso tempo habitou-nos a pensar o agir humano como se tivéssemos sempre de justificar o objetivo das nossas escolhas. Quando, na verdade, as formas mais importantes do agir humano não se justificam em relação a determinados objetivos, que possam ser definidos ou escolhidos antecipadamente.

Na verdade o que convém ao ser humano não se decide antecipadamente, pois não se julga antecipadamente se convém viver, para depois decidir se queremos ou não nascer.

«No mundo encontramo-nos sem o termos escolhido. E, contudo, não permanecemos nele, ou melhor, não vivemos verdadeiramente sem o escolher», sublinha o teólogo Angelini. E conclui: «Com tanta frequência estamos indecisos a propósito daquilo que nos convém fazer em cada situação, porque na realidade ainda não decidimos se nos convém viver e para que vivemos.»
Bom discernimento e feliz tempo em 2019!