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Capelães «não estão proibidos de contactar com doentes infetados»
01.04.2020
A Coordenação Nacional de Capelães e Assistentes Espirituais (CNCAE) veio hoje a público esclarecer que «os capelães e assistentes espirituais nos hospitais não estão proibidos de contactar com doentes infetados com o novo coronavírus», ou qualquer outro tipo de doente.


Há dias, o jornal Expresso noticiava isso mesmo, e em artigo de opinião no Observdor o Pe. Gonçallo Portocarrero de Almada denunciava o caso, mas o Pe. Fernando Sampaio, responsável do grupo e capelão do hospital de Santa Maria, em Lisboa, veio a público defender que «os capelães não estão impedidos de prestar assistência espiritual e religiosa por nenhuma norma, regra ou orientação da DGS e/ou das Administrações Hospitalares».

Em declarações ao Expresso, o Pe. Fernando tinha afirmado que «os planos de contingência elaborados pela DGS não contemplam a assistência espiritual. Mas deviam», no que foi entendido como uma crítica às autoridades de saúde. No entanto, esta foi apenas uma «constatação», segundo confirmou à Família Cristã. «Estamos todos a aprender com esta crise. Eu não queria fazer uma crítica, estava apenas a constatar uma realidade. Os planos de contingência, no futuro, deveriam prever a possibilidade da assistência religiosa e espiritual aos doentes, assim como a possibilidade de as famílias poderem ter algum contacto com o doente, por exemplo através de um vidro ou assim, principalmente quando os doentes estão para partir», sugere o Pe. Fernando Sampaio, que acrescenta que há aqui uma «aprendizagem para fazer».

Questionado sobre se há proibição de acesso aos doentes, o Pe. Fernando reforçou o que o comunicado diz. «Não estamos impedidos de assistir aos doentes infetados, apenas não fomos ainda chamados por nenhum», refere, acrescentando, ao ser questionado se os serviços de saúde os chamariam, no caso dos doentes infetados, que «suponho que sim».

A proposta de que a assistência espiritual esteja prevista nos planos de contingência tem como objetivo «tornar mais visível para as pessoas todas a questão da assistência espiritual», inclusive para os profissionais de saúde, que podem «querer proteger-nos mais, e isso acaba por não ajudar tanto assim», defende.

Isto porque os capelães estão dispostos a cumprir a sua missão «mesmo tendo em conta os riscos». «A mim não me assusta, a alguns poderá assustar, mas do que tenho falado com alguns estamos disponíveis» para a missão, sustenta.

No comunicado, a CNCAE esclarece ainda que os capelães «cumprem, voluntariamente, as medias de contingência existentes nos hospitais, como todos os profissionais».

Desejando «evitar outras interpretações», os capelães afirmam ainda que, «apesar de as medidas de contingência os afastarem do contacto regular com os doentes, estes continuam a ter direito e acesso à assistência espiritual e religiosa», e que «os capelães estão e estarão sempre disponíveis para assistir espiritual e religiosamente os doentes que isso solicitem, cumprindo necessariamente as regras de segurança e as orientações dos profissionais de saúde».

O comunicado termina com o agradecimento «reconhecido» a «todos os profissionais de saúde, que, todos os dias, com profissionalismo, zelo, empenho e dedicação, combatem a pandemia».
 
Texto: Ricardo Perna
Foto: Lusa

 
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