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Cáritas lança iniciativa «Partilhar a Viagem» com migrantes
21.10.2018
A iniciativa Partilhar a Viagem, uma iniciativa da Caritas Internationalis que visa sensibilizar para as questões dos migrantes, teve hoje início oficial em Roma com uma peregrinação entre o centro scalabriniano de acolhimento aos migrantes e a Praça de S. Pedro, em Roma, liderada pelo Cardeal Antonio Tagle, presidente da Caritas Internationalis, que caminhou em conjunto com migrantes, legais e ilegais, pelas ruas de Roma.

 
O ponto de encontro foi na igreja de Santa Maria da Luz, que serviu para juntar todos os participantes na iniciativa #Sharethejourney, ou em português #partilharaviagem. O Cardeal Tagle deu força à iniciativa, e foram muitos os jornalistas que quiseram cobrir o evento.

Beauty, migrante que veio da Nigéria para Roma há dois anosBeauty, da Nigéria, está em Roma há dois anos e acedeu dar a sua voz à Família Cristã, como forma de falar «por todos os que não podem estar ali». «Estou aqui para falar em nome de todas as pessoas que não estão aqui e que precisam da nossa paz em Itália. Precisamos de paz e justiça. Sem paz, não estamos confortáveis e não temos liberdade aqui», referiu, para acrescentar que «precisamos de fazer esta caminhada para que as pessoas se apercebam que precisamos de paz». A voz era emocionada, e o abraço que recebeu da amiga que assistia, e que não quis dar a cara, por se encontrar ilegal no país, mostrou o quão empenhados estão nesta questão.
 
Lá dentro, o cardeal Tagle dava início a esta «simbólica, mas muito efetiva peregrinação da Cáritas Internationalis». «Queremos fazer isto num espírito de comunhão e oração. A comunhão é mais real quando a ação é acompanhada de oração ao espírito. E a oração torna-se mais eficaz quando leva à ação. Que a nossa peregrinação seja uma oração, um ato de adoração», pediu aos participantes.
 
Na oração que deu início à peregrinação, o cardeal filipino pediu que «cada passo que dermos esta manhã seja um ato de comunhão, solidariedade, com milhões de pessoas que estão a caminhar, sem saber onde a sua viagem irá terminar. Nós sabemos que a nossa viagem terminará em S. Pedro, mas muitos estão às escuras», disse.
 
Ainda na oração, o cardeal pediu que a «oferta» «diminua a dor dos que sofrem a rejeição, paredes altas e grossas, preconceitos e discriminações». «Que o nosso pequeno sacrifício desta manhã sustenha a maré do medo contra os estrangeiros, da suspeita perante o outro. Como Jesus caminhou nesta terra, imploramos-te, Pai, que nos permitas caminhar um com o outro, com Jesus, com o poder do Espírito», rezou.
 
Uma caminhada para combater os extremismos
Michel Roy, secretário-geral da Caritas Internationalis, também esteve presente. À Família Cristã, afirmou que «o objetivo da nossa campanha é falar cada vez mais com as pessoas». «Nós dirigimo-nos às pessoas, não aos Estados, a pessoas concretas, para que elas descubram a migração através do encontro com outros indivíduos, migrantes», defendeu.
 
Michel Roy, secretário-geral da Caritas InternationalisO secretário-geral afirmou que, «na nossa sociedade polarizada, que rejeita os migrantes, aqueles que estão contra os migrantes são os que nunca se encontraram com eles». «Muitas vezes, em contextos onde não há imigrantes, é lá que os partidos extremistas crescem. Sabemos muito bem que, se nos encontramos com a pessoa migrantes, então vai criar-se uma relação, vamos compreender que esta pessoa sofreu, sofre, e precisa de ser acolhida, de ser compreendida, de ser acompanhada», defende.
 
O «medo do migrante», diz, vem de não conhecermos as suas histórias. «As histórias de vida, muitas vezes, são trágicas. Mas nós vemos o migrante assim [sem conhecer as suas histórias], mas temos medo, rejeitamo-lo», lamenta.
 
Para este responsável, «o encontro com os migrantes é provocador, mas é também o barómetro da nossa humanidade», e deixa um aviso importante. «Se rejeitamos os migrantes, eu penso que rejeitamos a humanidade e que rejeitamos Deus, também», afirmou.
 
Papa reforça confiança na iniciativa
Entre voluntários, religiosos e migrantes, cerca de 200 pessoas fizeram a caminhada. A organização não pretendia fechar as ruas de Roma, mas apenas dar início a uma iniciativa que visa acumular 1 milhão de quilómetros em caminhadas pelo mundo fora com migrantes. Para já, organismos da Cáritas no Chile, Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido já fizeram iniciativas semelhantes, mas a organização avisa que «estão previstas mais iniciativas».
 
Durante o percurso, o cardeal Tagle ia falando e partilhando histórias com vários dos participantes, migrantes, principalmente, e o percurso foi feito em clima de diálogo e alegria, uma alegria esperançosa, conforme indicou Beauty à nossa reportagem.
 
A chegada à Praça de S. Pedro coincidiu com a oração do Angelus, proferida pelo Papa Francisco, que deixou uma palavra de agradecimento e alento para esta iniciativa, que o próprio lançou no final do ano passado. «Cumpristes uma breve peregrinação em Roma, para manifestar o desejo de caminhar juntos, aprendendo assim a conhecer-se melhor. Encorajo esta iniciativa de ‘partilhar o caminho’, que é proposta em muitas cidades e que pode transformar a nossa relação com os migrantes. Muito obrigado à Cáritas», referiu, desde a janela do apartamento pontifício, após a oração do ângelus.

 
Os participantes na caminhada acompanharam a intervenção junto à Praça de São Pedro, com a presença de vários participantes no Sínodo dos Bispos, migrantes e do presidente da ‘Caritas Interationalis’, o cardeal Luís António Tagle, e não deixaram de expressar a sua alegria pelo reconhecimento do Papa à sua iniciativa.

Abaixo pode ver uma pequena fotogaleria da peregrinação.

A reportagem em Roma foi realizada em parceria para a Família Cristã, Agência Ecclesia, Flor de Lis, Rádio Renascença e Voz da Verdade.
Reportagem e fotos: Ricardo Perna
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