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Cáritas: Quase 350 mil euros para Moçambique
23.04.2019
A Cáritas portuguesa angariou 347.618,30 euros na campanha Cáritas Ajuda Moçambique. Em comunicado, a organização, revela que «esta verba está inserida no Plano de Resposta de Emergência da Caritas Internationalis que coordena toda ação da rede internacional Cáritas em Moçambique». O plano, com um orçamento global de 1,9 mil euros, vai ser aplicado até junho deste ano, nas dioceses da Beira, Chimoio e Quelimane. Serão apoiadas diretamente cerca de 27500 pessoas. A prioridade é «assegurar o acesso à alimentação, saúde, higiene e abrigo».



David O’Hare, da Cáritas, está no terreno e explica que «a ajuda está a chegar». «Acabo de regressar de uma distribuição de alimentação de urgência na beira. Aqui pude assistir à entrega de abrigos de emergência e de comida a famílias mais vulneráveis», afirma. Agradecendo toda a ajuda já enviada, este responsável defende que «estas pessoas vão precisar de um acompanhamento prolongado». Para chegar às populações que precisam de ajuda todos os meios são usados. António Anossa, da Cáritas Moçambique, explica que «para chegar temos de atravessar o rio». Sem estrada nem ponte, «temos de ir de canoa».
 

Gabriel Salvador, num testemunho divulgado pela Cáritas, conta que quando a água começou a subir, acordou os seus filhos e «subimos em cima de uma árvore, estava lá toda a família. Ficámos lá até onze horas». A água foi subindo e trazendo troncos. «A árvore já não aguentava e acabou por cair. Todos fomos para dentro da água. Quatro pessoas da família estão desaparecidas», conta Gabriel.
 
 

Histórias como estas são muitas. As equipas da Cáritas na região têm ouvido os agricultores demonstrar a vontade de voltar a cultivar as suas terras. Num relato divulgado pela Cáritas Portuguesa, Juan Carlos, de 45 anos, conta que é «um agricultor camponês e tinha uma fazenda de 3 hectares de cultivo de milho, arroz, tomate, batata-doce e mandioca. Como não era o suficiente para alimentar a minha família, então eu também trabalhava em outras fazendas». Juan é casado com Anita López Paulo, de 34. A esposa lembra-se bem do dia do ciclone. «Os ventos começaram a soprar à tarde, mas logo percebemos que havia ali uma ameaça real. Estávamos escondidos em nossa casa quando o telhado foi arrancado. Corremos para um anexo de barro para nos abrigarmos. Ficamos de pé a noite toda com as mãos sobre as nossas cabeças. No dia seguinte, as inundações vieram de ambos os lados.»

Anita e o neto mais novo.
O casal tem seis filhos entre os oito e os 23 anos e cinco netos que vivem com eles. «Eu tive que pegar no meu neto de quatro semanas de idade e pensei que ele ia afogar-se. Quando pudemos, corremos para a escola em busca de abrigo e tivemos que ficar lá por quatro dias. Perdemos tudo – nossas roupas, roupas de bebés, utensílios, documentos», conta Anita. Juan recorda o medo que sentiu. «Vimos muitas pessoas que se afogaram e muitas casas a serem levadas pelas inundações. Tentamos remendar o telhado da melhor maneira possível quando voltámos, mas não tínhamos materiais como por exemplo pregos.» Outra das suas preocupações é voltar ao campo. «As nossas colheitas desapareceram todas. Eu consegui salvar um pequeno cacho de bananas vindo a geri-lo para que dure o maior tempo possível.»

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, afirma estar confiante «no trabalho que encetamos com o apoio da rede internacional e que nos permite ir mais longe na ajuda às pessoas que perderam tudo». O responsável agradece a todos os que têm contribuído. «Foram muitos os que confiaram em nós, de forma individual, através de empresas ou com as suas comunidades paroquiais. A todos queremos deixar o nosso agradecimento, mas também a garantia de que estaremos com a população afetada não apenas neste momento de maior sofrimento, mas, sobretudo, daqui para a frente a restaurar a esperança e disponíveis, no âmbito daquilo que estiver ao nosso alcance naquilo que a Cáritas Moçambicana precisar de nós.»
 
Texto: Cláudia Sebastião com Cáritas
Fotos e Vídeos: Cáritas

 
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