Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Carlos e Zita: a espiritualidade do casal imperador
05.04.2022
Está a assinalar-se o centenário da morte do Beato Carlos da Áustria, que faleceu na ilha da Madeira. As celebrações decorrem até 21 de outubro de 2023. Foi apresentado o livro Carlos e Zita de Habsburgo – Itinerário espiritual de um casal, escrito por Elizabeth Montfort, e que desvenda a espiritualidade conjugal do Beato Carlos e da sua esposa Zita. No prefácio,

D. Nuno Brás escreve: «Sabemos que, logo desde o início (e mesmo na tranquilidade pacífica e feliz), a Carlos e a Zita não bastou aquela realidade humanamente idílica, quase paradisíaca. No coração de ambos encontrava-se já uma procura séria da identificação com Cristo: “Agora devemos ajudar-nos mutuamente a ir para o céu”, como afirmou o Beato Carlos no dia do noivado. Ou, ainda mais, a vontade expressa na frase que o futuro imperador fez gravar no interior das duas alianças do Matrimónio: “Sub tuum praesidium confugimos” (“À tua proteção nos acolhemos”: o início da mais antiga antífona da Virgem Maria), sinal da vontade mútua de que o seu amor conjugal fosse sempre vivido no seio e na procura daquele amor primeiro e maior que é o Amor de Deus».
 
O Beato Carlos da Áustria é conhecido por “Imperador da paz”, por ter tentado a paz na primeira Guerra Mundial. Foi canonizado em 2004. Os seus restos mortais estão na igreja de Nossa Senhora do Monte, na ilha da Madeira, onde viveu exilado com a sua família. Quando chegou à ilha, diz-se que a única coisa que pediu foi que pudesse ter missa todos os dias. Nenhuma outra mordomia…
 
Aí morreu, deixando a esposa Zita viúva e sozinha com os filhos. A esposa tem processo canónico a decorrer, uma vez que morreu 67 anos depois do marido. O Arquiduque Rudolfo da Áustria escreve que «eles foram unidos perante Deus e os homens pelo sacramento do matrimónio. Não deixa de ser interessante verificar que São João Paulo II escolheu, para o meu avô, ao contrário do que é habitual, a data do seu casamento como data de inscrição no calendário litúrgico dos santos, em vez da data da sua entrada no céu». E essa dimensão conjugal é explorada neste livro por Elizabeth Montfort, esposa, mãe de uma família numerosa, antiga deputada do Parlamento Europeu, membro do conselho da Associação para a Beatificação da Imperatriz Zita.

Nesta obra, percorremos a vida de cada um, sabemos como se foram conhecendo e enamorando. Participamos na sua vida e com os seus testemunhos, vamos percebendo de que forma viveram juntos, em casal, toda a sua vida, com tantas peripécias. «Iniciada como um conto de fadas, por um casamento de amor, a sua vida torna-se numa tragédia: guerra, calúnias, traições, solidão, exílio, morte prematura de Carlos… E, no entanto, nunca eles manifestaram qualquer amargura ou crítica. Muito pelo contrário, era o perdão que alimentava os seus corações», escreve a autora. «Profundamente enraizados na fé dos seus pais, Carlos e Zita encontraram o seu caminho de santidade no casamento, no amor aos filhos e no amor aos seus povos, numa esperança nunca manchada pela amargura ou pelo desgosto. O seu testemunho convida-nos a encontrar o nosso próprio caminho a partir da realidade das nossas vidas. Que este itinerário espiritual nos possa ajudar nisso!»

Elizabeth Montfort acabou o livro durante a pandemia. Agora estamos com os olhos voltados para a guerra na Ucrânia. Situações dolorosas que podem ser olhadas com a luz do exemplo deste casal de esposos: «Carlos e Zita juntam-se à tragédia e à beleza das nossas vidas. Pelo seu exemplo, eles mostram-nos que nada de grave pode acontecer se nos entregarmos à vontade divina e nos colocarmos nas mãos de Deus. E também nos podem amparar com a sua intercessão.»
Texto: Cláudia Sebastião
Continuar a ler