Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Cimeira sobre Proteção de Menores quer «transformar a Igreja no espaço seguro que deve ser»
18.02.2019
O encontro inédito que o Papa Francisco vai promover no Vaticano de 21 a 24 de fevereiro sobre a Proteção de Menores foi hoje apresentado numa longa conferência de imprensa numa Sala de Imprensa do Vaticano cheia de jornalistas acreditados para acompanhar o evento que reunirá em Roma 190 participantes, entre os quais os 114 presidentes das conferências episcopais de todo o mundo.

 
O encontro pretende dedicar-se a três temas, conforme explicou D.Charles J. Scicluna, arcebispo de Malta e secretário-adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé (Santa Sé). «Cada dia será dedicado a um tema: Responsabilidade, Responsabilização (prestação de contas) e Transparência», explicou o prelado, que afirmou que o objetivo é «transformar a Igreja no espaço seguro que ela deve ser».
 
D. Charles Scicluna agradeceu aos media «todas as investigações que fizeram e que permitiram descobrir todas estas situações» e que ajudaram a «Igreja a ganhar consciência e a trazer estas histórias e narrativas para a luz do dia».
 
Presente na conferência de imprensa esteve também o Cardeal Blase J. Cupich, arcebispo de Chicago (EUA) e membro da comissão organizadora, que disse aos jornalistas que foi «a coragem das vítimas» que fez este projeto avançar e que «a única preparação que o Papa pediu» foi «que os bispos se encontrassem com elas», para conhecer o «sofrimento» que carregam, «todos os dias». «Há uma nova fase, em termos de transparência, e a minha esperança é que as pessoas vejam isto como um ponto de viragem. Ninguém pode dizer que não haverão mais abusos na Igreja ou no mundo, mas a nossa prioridade é tornar as pessoas responsáveis pelos seus atos», avisou.
 
Os dias de cimeira vão ser passados em plenário e reuniões de grupos linguísticos, à semelhança do método utilizado nos Sínodos dos Bispos. O dia inicia com uma oração, ao que se seguem intervenções de oradores, trabalhos em grupos linguísticos (sem a língua portuguesa, desta vez), perguntas e respostas aos oradores, e o final dos trabalhos em cada dia é um tempo de oração que contará com o testemunho de uma vítima de abusos sexuais.
 
Além deste programa, está preciso que, no sábado, haja uma liturgia penitencial na sala régia do Palácio Apostólico com todos os participantes, onde se irá rezar e ouvir testemunhos de vítimas de abusos, e uma eucaristia de encerramento no domingo. Após a eucaristia, o Papa, que estará a acompanhar todos os trabalhos, fará um discurso aos participantes que encerrará os trabalhos.
 
O Pe. Hans Zollner, do Centro de Proteção de Menores, explicou tudo sobre o site que o Vaticano lançou sobre o encontro – http://pbc2019.org – e sobre o questionário que foi enviado a todas as conferências episcopais para perceber a realidade de cada país. Foram devolvidos 89% dos questionários, e agora estamos a analisar tudo para apresentarmos os dados, que serão públicos», referiu o sacerdote jesuíta.
 
Este responsável tem grandes expetativas sobre o desenvolvimento dos trabalhos que poderão ajudar a encontrar uma «Igreja mais sinodal». «Espero muito dos trabalhos de grupos, pois temos a liderança da Igreja reunida para partilhar boas práticas. Espero tanto material que não teremos possibilidade de sintetizar no final, mas que entregaremos certamente a todos». garantiu.
 
O Pe. Federico Lombardi, moderador do encontro, explicou que há ainda «disponibilidade» para receber os grupos que se irão certamente manifesta em Roma nestes dias. «A organização decidiu reunir-se com um grupo representativo das várias associações de todo o mundo para que se possam exprimir e colocar as suas questões sobre este momento importante da Igreja», explicou, acrescentando que, mesmo que não lhe seja possível receber todas as pessoas que pretendam fazer chegar à cimeira mensagens e opiniões sobre este assunto, receberá todas as mensagens que pretendam enviar por escrito. «Se souberem de pessoas ou associações que têm qualquer mensagem para nos fazer chegar, eu como moderador gostarei de receber todas, embora não posso garantir encontros pessoais com todas as pessoas. Mas peço que me façam chegar mensagens escritas e eu farei todo o possível para as receber e dar o devido tratamento», disse aos jornalistas.

Texto e fotos: Ricardo Perna
Continuar a ler