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Vida Cristã
Como devo comungar? Na mão ou na boca?
08.11.2017
Neste artigo, Mons. Feytor Pinto, pároco do Campo Grande, em Lisboa, responde à pergunta afirmando que
A REFORMA LITÚRGICA É IRREVERSÍVEL
 
Há poucos meses teve lugar no Vaticano um grande encontro internacional de liturgia. Estiveram presentes os maiores especialistas que, à luz do Concílio Vaticano II, consideram a liturgia como «o exercício da função sacerdotal de Cristo» (SC 7). Foi neste encontro que o Papa Francisco afirmou, categoricamente, que «a reforma litúrgica é irreversível».
 
Porquê tal declaração do Papa? Porque ainda há teólogos e pastoralistas a desejar o regresso da liturgia a práticas anteriores ao Vaticano II.

A reforma litúrgica foi definida, na Aula Conciliar, através da constituição Sacrossanctum Concilium. As grandes medidas práticas podem sintetizar-se assim: a mudança do altar, para que o presidente da celebração esteja sempre voltado para o povo santo de Deus ali reunido; a liturgia da Palavra em língua vernácula, para ser entendida por toda a assembleia; a participação dos leigos na liturgia, como leitores, ministros extraordinários da comunhão, acólitos ou agentes pastorais; a simplicidade dos cânticos para serem participados pela assembleia; o desaparecimento das grades que separavam o presbitério da comunidade de fiéis.



É neste contexto renovador que se deve responder à pergunta formulada por muitos: como se deve comungar? Antes do Concílio Vaticano II comungava-se de joelhos e na boca, mas a reforma conciliar deixa uma grande liberdade aos cristãos.

A comunhão na mão tornou-se, praticamente, uma forma universal de comungar. É sem dúvida uma questão de higiene, mas é também uma questão de dignidade e respeito pela sagrada comunhão. São Cirilo de Jerusalém, na Catequese Mistagógica, dizia que nos primeiros séculos se recebia a Eucaristia nas mãos, costume que se manteve até épocas tardias: «Quando te aproximas não avances com a palma da mão estendida, nem com os dedos afastados, mas faz da tua mão esquerda um trono para a tua mão direita, uma vez que esta deve receber o Rei. Recebe o Corpo de Cristo na concavidade da tua mão, e responde: Amen.»

É claro que o leigo pode comungar na boca. Porém, dadas as circunstâncias, muitas vezes esta forma de comungar leva a que o ministro da comunhão toque nos lábios da pessoa que comunga, permitindo a transmissão de bactérias aos comungantes seguintes. É uma questão de saúde pública.

Há também quem pergunte como se deve comungar: de pé ou de joelhos? De pé é a atitude normal de um filho para com o pai. Compreende-se que estar de pé diante de Deus é um ato de adoração no encontro com Deus. O mistério da proximidade na relação com Deus favorece a comunhão de pé.

O grande critério, porém, deve ser o do espírito comunitário. Numa comunidade em que todos comungam de pé, o normal é que ninguém se constitua como exceção. A comunhão de joelhos aceita-se, numa pequena comunidade, em que todos decidem esta maneira de receber o Senhor. O que é de excluir é a atitude individualista que se converta num certo exibicionismo no meio da assembleia.

A comunhão deve ser sempre revestida do sentido da alegria pascal, muito referida no Concílio Vaticano II, ao falar deste grande sacramento (SC 47).Face às diversas tentações de uma liturgia do passado, o Papa Francisco quis afirmar declaradamente, no recente encontro internacional de liturgia, que «a reforma litúrgica é irreversível».
Foto: Ricardo Perna
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