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Como está a Igreja portuguesa a prevenir o Coronavírus
11.03.2020
O alerta é geral e está a espalhar-se pelo país rapidamente, à medida que aumentam o número de casos de Covid-19 em Portugal. Neste sentido, também a Igreja portuguesa está a promover ações que visam evitar a propagação do vírus dentro da comunicada católica do país. Aqui poderá encontrar as medidas já anunciadas e publicadas pelas diferentes dioceses e orgãos nacionais católicos.

Foto de Arquivo
A primeira indicação surgiu da Conferência Episcopal Portuguesa. A 2 de Março, os bispos portugueses, através do seu Conselho Permanente, emitem uma nota pastoral a recomendar, «para evitar situações de risco», «algumas medidas de prudência nas celebrações e espaços litúrgicos, como, por exemplo, a comunhão na mão, a comunhão por intinção dos sacerdotes concelebrantes, a omissão do gesto da paz e o não uso da água nas pias de água benta».

No dia 5 de março, ficou a saber-se que o Comité Organizador Local da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em conjunto com a sua congénere do Panamá, tinham pedido ao Vaticano que adiasse a entrega da cruz e do Ícone da JMJ, para que não se corresem riscos com a idade mais de mil jovens portugueses e do Panamá para Roma no Domingo de Ramos. O encontro foi adiado para 22 de novembro, por altura da celebração de Cristo-Rei.

Foi o primeiro sinal da Igreja em Portugal. Com o escalar dos casos, e considerando que é, até ao momento, a diocese mais afetadas pelo Covid-19 em Portugal, a diocese do Porto emitiu dois comunicados com restrições às celebrações nas zonas de Lousada e Felgueiras, as mais afetadas, e indicações para o resto da diocese.

No mesmo dia, a organização das Jornadas de Cuidados Paliativos decidiram adiar o seu encontro para uma data a definir, em virtude do surto de Coronavírus que impossibilitaria oradores e participantes de de tomarem parte nos trabalhos.

Depois do Porto, foi a vez do Algarve. D. Manuel Quintas decidiu colocar restrições às atividades com crianças e adolescentes na zona de Portimão, em virtude de uma criança, que teria na sua turma de escola alguns escuteiros e frequentadores da catequese. Neste caso, não se colocaram em causa a realização de eucaristias, embora o gabinete de comunicação da dioceses informasse que o bispo estava atento ao desenrolar da situação.

Em Braga a preocupação com a Semana Santa levou D. Jorge Ortiga, em coordenação com a Comissão da Quaresma e Solenidades da Semana Santa de Braga, a cancelar eventos públicos que estavam programados para a Semana Santa. Neste sentido, «ficam canceladas as procissões e os concertos da Quaresma e Semana Santa. A realização das exposições fica ao critério dos organizadores», refere o comunicado. Não há ainda restrições em relação às celebrações da Semana Santa, mas o arcebispo de Braga avisa que se «as condições exigirem cuidados especiais, não será permitida a participação de fiéis, a não ser os necessários para os serviços litúrgicos. Neste caso, as celebrações serão transmitidas via internet e rádio», informam.

Ainda em Braga, os padres da cidade de Braga decidiram, em reunião, que o principal grupo etário visado pelo vírus, os idosos, devem «abster-se até de participar na eucaristia, a não ser com o máximo cuidado, dado os perigos reais que correm». A necessidade de cuidar dos outros leva os padres dde Braga a afirmar que «é pecado grave infringir os cuidados recomendados que favorecem a saúde pública», e por isso a colaboração e cooperação constituem «uma obrigação acrescida para quem se afirma cristão».

Entretanto, o Corpo Nacional de Escutas emitiu ontem, dia 10, um comunicado onde indica que todas as atividades nacionais do movimento estão canceladas até dia 25 de março, e que recomendava juntas regionais, de núcleo e agrupamentos locais a fazer o mesmo. Entretanto, as juntas regionais do CNE estão a seguir o exemplo da Junta Central e a adiar ou cancelar as suas atividades mais próximas, e a expetativa é de que os agrupamentos locais, na sua maioria, sigam as mesmas indicações.

No dia 11, a diocese de Aveiro emitiu indicações que visam sobretudo as visitas aos idosos e o período de confissões que normalmente é muito forte neste tempo da Quaresma. D. António Moiteiro concedeu a possibilidade de absolvições em grupo, mas pede que, se for possível manter a distância de segurança e conservar o sigilo sacramental, que as confissões decorram da forma habitual.

Também de Évora surgiram indicações de D. Francisco Senra Coelho. Neste caso, o arcebispo de Évora mantém todos os serviços e celebrações, mas pede que se tenham presentes «as orientações emanadas pela DGS e CEP». «Apelo a uma atitude de prudência, procurando avaliar cada situação e, se for necessário, optar mesmo por cancelar ou adiar».

Na diocese da Guarda, D. Manuel Felício escreveu aos padres da diocese para recordar que «pode ser usada a prática da reconciliação de vários penitentes, com confissão e absolvição geral», durante a Quaresma 2020, face aos «constrangimentos» provocados pela difusão do Covid-19. «Este será também um bom contributo para o serviço da reconciliação que devemos às nossas comunidades e aos nossos fiéis», observa D. Manuel Felício.

No documento enviado à Agência ECCLESIA, pela Diocese da Guarda, o bispo explica que a prática da «reconciliação de vários penitentes, com confissão e absolvição geral» é uma das modalidades de confissão sacramental «prevista no Ritual da Celebração da Penitência» (capítulo III, nn. 60-63).

Também no dia 11, a Cáritas cancelou o seu peditório nacional, que iria decorrer 4 mil voluntários às ruas de Portugal, em vários espaços comerciais, escolas e comunidades paroquiais, nos próximos dias. «Depois de equacionadas todas as circunstâncias, a Cáritas Portuguesa dá indicação de que se suspenda o Peditório Público Nacional», indica um comunicado enviado à Agência ECCLESIA. «A Cáritas Portuguesa procura desta forma dar uma resposta que se enquadra nos apelos que têm vindo a ser feitos pelas autoridades nacionais e locais, de adotar comportamentos de prevenção sempre que a realidade local a isso obrigar, não querendo, assim, expor os seus voluntários nem aqueles com quem contactam a possíveis situais de risco ou de contágio», acrescenta a nota de imprensa.

No final do dia, também o Patriarcado de Lisboa emitiu uma «nota aos diocesanos de Lisboa sobre a atual situação sanitária», na qual manifesta preocupação com a situação, mas, «como crentes, não deixaremos de viver o atual momento com fé no Deus da vida, que nunca abandona ninguém, sobretudo nas ocasiões mais difíceis». «Mantemo-nos em oração por todos, em especial pelos profissionais de saúde e pelos doentes e suas famílias, certos de que assim se alarga a esperança e reforça o ânimo».

Neste âmbito, D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, indica que «são de adiar as celebrações penitenciais com confissões e não se deve recorrer à absolvição geral», ao contrário do que vimos acontecer nas dioceses de Aveiro e Guarda, onde os bispos diocesanos possibilitaram esse tipo de absolvição. De resto, mantém-se tudo como normal, com especial atenção às indicações das autoridades de saúde. «Onde se encerrarem escolas, devem suspender-se as catequeses e outras ações pastorais que envolvam grupos mais numerosos. Cumpram-se as indicações quanto a visitas a estabelecimentos de saúde e prisionais, bem como a lares e residências. Quanto às celebrações em templos, também se seguirão prudentemente as diretivas das autoridades», refere a nota.

Em Beja, o bispo D. João Marcos adia «as peregrinações arciprestais à Sé de Beja no próximo domingo, dia 15 de março (Arciprestado de Beja), e no sábado, dia 21 de março (Arciprestados de Almodôvar e Odemira)». O bispo diz que a exposição e as conferências se manterão. Assim como se mantêm como habitualmente as missas, confissões, sacramentos e funerais.

Voltando a Braga, D. Jorge Ortiga publicou hoje, dia 12, uma nota pastoral entitulada «lutar de forma original contra o Coronavírus». O arcebispo de Braga defende que é «pecado grave» atentar contra o dom da vida e, por isso, «em momentos de epidemia, compete ao cristão sacrificar tudo para a defender». Neste sentido, entre outras medidas, decidiu anular a Visita Pascal, um dos momentos fortes das celebrações pascais em Braga, e pede aos párocos que «preparem subsídios pastorais que ajudem as famílias a viverem a Páscoa nesta situação excecional». As celebrações acontecerão conforme o programado, embora o desenrolar da situação possa levar a que sejam celebradas sem fiéis, com o acompanhamento das mesmas a ser feito pela internet, rádio ou televisão.

De Viseu surgem as medidas mais severas até agora, quando já se pronunciaram a esmagadora maioria das dioceses portuguesas. Estão canceladas as missas entre 16 e 31 de março, assim como todas as atividades da catequese até à Páscoa, enquanto casamentos, batizados e funerais se devem realizar de forma breve e apenas com a família. Medidas muito restritivas de D. António Luciano Costa, que já foi enfermeiro, capelão no Hospital da Covilhã e professor de ética nos cursos de Medicina.

Na diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto cancelou todas as peregrinações diocesanas que estavam planeadas a Fátima, e indica que todos os fiéis que, «apresentando sintomas que façam suspeitar de infeção, mesmo que não comprovada, não devem participar nas celebrações litúrgicas e outras actividades».

Não acabam as missas, mas D. António Marto indica que os padres e ministros devem «desinfetar as mãos antes e depis da distribuição da comunhão», que as pessoas devem evitar contactos e encostos com as pessoas que se sentam nos bancos da assembleia, e que as confissões devem ser feitas «com distância entre o sacerdote e o penitente, sem prejuizo da salvaguarda do sigilo e das recomendações sanitárias».

Todas as celebrações pascais e visitas posteriores se mantêm, observando algumas limitações nos gestos que possam facilitar o contágio do Covid-19, desde que não ultrapassem o número de 5.000 participantes definido pela DGS. Nos funerais o prelado pede que se evitem os contactos sociais e o «contacto com o féretro».

Em Setúbal, D. José Ornelas tem uma página onde vai indicando todos os eventos que são cancelados na diocese (pode ser consultada aqui), e emitiu também uma nota pastoral que visa definir as medidas a levar à prática na diocese. A grande novidade em Setúbal prende-se com a distribuilão da comunhao aos doentes. D. José Ornelas, para evitar a propagação do vírus, indica que «sempre que seja possível confiar a Eucaristia a um familiar da pessoa doente, o pároco pode fazê-lo a título provisório, providenciando uma formação adequada que assegure a dignidade deste ato de especial misericórdia por quem sofre».

D. José cancelou as atividades da catequese, assim como as visitas pastorais às paróquias de Nossa Senhora da Conceição – Montijo; Pinhal Novo e Samouco previstas para o final de março e início de abril. Quanto às confissões quaresmais, «enquanto se mantiverem as condições atuais na Diocese e observando as precauções acima descritas, os vigários forâneos e os párocos analisem a situação local e decidam, com toda a prudência, a possibilidade e modalidade da sua realização». Para possibilitar total liberdade de escolha dos párocos, o bispo de Setúbal autoriza, «neste período, as celebrações com a absolvição geral, desde que o número de pessoas o justifique, permanecendo o dever da reconciliação individual, quando for possível».

Na diocese de Vila Real, D. António Augusto Azevedo escreveu uma nota sobre a pandemia do Covid-19 onde comunica que, depois de consultado o Conselho Presbiteral, se vão «adiar as celebrações do Sacramento da Penitência e Reconciliação com confissão individual para o período imediatamente posterior a esta crise, esperando que tal aconteça ainda no tempo pascal». Adiadas ficam também as visitas pastorais «para datas a anunciar».

Ficam ainda suspensas «a catequese, as celebrações em lares de idosos e outros lugares de especial vulnerabilidade, até que seja restabelecida a normalidade, e ainda a iniciativa diocesana da peregrinação da imagem da Sagrada Família», mas fora isso tudo continua com normalidade, observando todas as recomendações das autoridades de saúde.

Em Lamego, D. António Couto recomenda que as celebrações das confissões «devem ser adiadas», mas que «não se recuse a confissão a quem a pedir, assegurando o sigilo sacramental e a distância de segurança».

O bispo lamecense indica também que as procissões da Quaresma «devem ser suspensas», que a catequese seja «suspensa onde as escolas forem encerradas» e o Festival Diocesano da Canção Jovem «foi adiado sine die» (sem dia), enquanto as visitas pastorais do prelado «são adiadas para depois da Páscoa».

Já no Funchal, D. Nuno Brás escreve uma comunicação aos fiéis do Funchal afirmando que «não podemos também deixar de fazer tudo o que se encontra ao nosso alcance para que as infecções sejam o menos grave e em menor número possível, sem nunca deixar de viver e celebrar a fé». Nesse sentido, D. Nuno Brás mantém todas as missas e «atos de culto habituais», mas cancela «as procissões, as celebrações penitenciais próprias da Quaresma e outras actividades extraordinárias que envolvam grande número de fiéis». Ao contrário do que sucede em algumas dioceses, aqui D. Nuno Brás não permite «celebrações comunitárias da reconciliação com absolvição geral». Quanto à catequese, «suspenda-se a mesma até novas orientações».

Um tempo depois da comunicação do primeiro-ministro ao país, que confirmou o encerramento de todas as escolas a partir de segunda-feira, dia 16 de março, D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda, emitiu um comunicado no qual ordena a suspensão de «todas as atividades da catequese nas Paróquias das Unidades Pastorais, movimentos e grupos eclesiais».

Sobre as confissões quaresmais, o preado pede que se «adiem, se possível, as celebrações da Penitência nas fórmulas rituais de um só penitente com confissão e absolvição individual e comunitárias com confissão e absolvição individual», e reforça que não são permitidas celebraçaões com a «fórmula ritual da celebração comunitária com confissão e absolvição geral»

Sobre as eucaristias na diocese, D. José Cordeiro pede que sejam acauteladas «com a participação ativa do povo fiel e santo de Deus», respeitando «o devido intervalo de segurança entre os fiéis». Quando tal não for possível, «a Igreja pode celebrar a Eucaristia quotidiana sem povo, mas sempre por todo o povo», refere o prelado.

No que diz respeito a batismos e exéquias, D. José Cordeiro pede que sejam realizados apenas com «a família e as pessoas mais próximas», enquanto recorda a todos os «Presbíteros, Diáconos e Ministros Extraordinários da Comunhão todas as normas de higienização emanadas pela Direção Geral de Saúde, aplicando-as antes e depois de distribuir a comunhão às pessoas doentes e o Viático aos moribundos».

Para além disto, e de pequenas limitações de contactos nas celebrações pascais, mantêm-se as celebrações e cerimónias públicas próprias do tempo da Quaresma e da Páscoa.

Em Angra, diocese que também não tem ainda casos de coronavírus, D. João Lavrador emitiu uma nota com um «plano de contingência», onde decidiu recomendar o cancelamento de todas as atividades promovidas por movimentos e instituições ligadas à Igreja, que envolvam pessoas de fora da região, até à Páscoa, por causa da pandemia do Covid-19. «As entidades diocesanas e demais pessoas coletivas canónicas promotoras de eventos que envolvam participantes de fora da Região Autónoma dos Açores devem cancelar as suas atividades programadas até à Páscoa, bem como devem ser evitadas as deslocações para fora da região», refere um comunicado assinado pelo vigário-geral.

As atividades da catequese acompanham as «opções tomadas para a escola pública», que vão ser encerradas a partir de segunda-feira. A Cúria recomenda ainda que, durante a Quaresma, não decorram as tradicionais celebrações comunitárias da Unção dos Doentes. A diocese, para já não deixa qualquer recomendação para cancelamento de celebrações litúrgicas, deixando contudo aos párocos «a melhor decisão».


Em atualização.

 
Texto: Ricardo Perna
Foto: Ricardo Perna
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