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Vida Cristã
Como explicar a virgindade de Maria depois do nascimento de Jesus?
07.12.2018
Por: Mons. Feytor Pinto

Quem lê a Bíblia, quer o Antigo quer o Novo Testamento, encontra muitos episódios que só pela fé se podem explicar. A criação do mundo, como é descrita no Génesis, a descrição dos lugares como a Torre de Babel, a salvação dos bons e o castigo dos maus no Dilúvio, são o exemplo de uma construção diretiva que tem como objetivo converter os comportamentos humanos. Depois, a vocação de Abraão, a história do Povo de Israel, o reino de David e Salomão e tantos outros episódios, revelam uma construção com base na história, mas com inúmeras situações de milagres, isto é, da intervenção de Deus. É de sublinhar que, em inúmeras situações, a narrativa termina por dizer «a Deus nada é impossível».



No Novo Testamento, o conteúdo histórico é mais seguro. Os textos dos evangelhos e das cartas dos Apóstolos são confirmados por historiadores contemporâneos, como Flávio Josefo, ou a referência aos lxx (os Setenta) ou até dos papiros encontrados em Qumram, onde foram encontradas grutas antigas com numerosos escritos. É claro que no meio das narrativas históricas há soluções que se não podem compreender pela evidência e que, por isso, pedem o recurso à fé. Se ter fé é viver o encontro pessoal com Jesus Cristo, só com a luz da fé se podem compreender situações que humanamente eram impossíveis. Talvez o mistério da Ressurreição seja o mais difícil de explicar. Vale aos crentes a referência histórica às aparições de Jesus depois da sua morte na cruz. Ele apareceu várias vezes aos 12 Apóstolos, apareceu a Maria Madalena e a outras mulheres, apareceu aos 500 irmãos reunidos no Monte das Oliveiras e até apareceu a Paulo, como este confirma na Carta aos Coríntios (1Cor 15). Também sabemos que só pela fé se compreende a presença de Jesus, na Eucaristia, com o seu Corpo e o seu Cangue sob a forma do pão e do vinho. É que Jesus, na Última Ceia, disse: «Isto é o meu corpo» e «este é o cálice do meu sangue». Os milagres de Jesus, para passar a verdade dos seus ensinamentos, estão também envolvidos no mistério da fé. E as pessoas que estavam com Jesus viam os doentes ficarem curados.

Conhecer a vida de Maria, mãe de Jesus, passa também por uma atitude de fé. De facto, desde a anunciação do Anjo Gabriel até à presença de Maria junto à cruz, no Alto do Calvário, tudo está envolvido na grandeza do mistério em que a vontade de Deus se sobrepõe à simples vontade humana. Já o profeta Isaías tinha dito: «Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho a quem será dado o nome de Emanuel, que quer dizer Deus connosco.» Quando se cumpriu o tempo, Maria foi surpreendida pelo Anjo que lhe transmitiu a mensagem de Deus, «salve, cheia de graça… hás de conceber e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus». Maria disse então ao Anjo que isso não era possível porque não conhecia qualquer homem. Foi então que o Anjo repetiu o que muitas vezes se encontra na Sagrada Escritura: «Para Deus, nada é impossível.» E Maria concebeu pela graça do Espírito Santo, ao dizer o seu “sim”. «Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra.»

Se Maria concebeu o seu Filho na força do Espírito Santo, sem quebrar a sua virgindade, portanto foi também agraciada por Deus, porque para Deus não há impossíveis. Esta verdade de fé foi depois confirmada pela tradição da Igreja, através dos séculos. Por isso, os cristãos acreditam na virgindade de Maria, na altura da anunciação, na conceção de Jesus, no parto e ao longo de toda a sua vida. Por isso se diz «a Santíssima Virgem Maria». Há muitas outras realidades que só pela fé se conhecem, mas na beleza do mistério está também a alegria do ser cristão.
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