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«Como é bom encontrar nas esquinas Deus que nos visita»
12.06.2019
O cónego João Aguiar Campos esteve na Feira do Livro a apresentar o seu livro Descalço também se caminha. O sacerdote afirma que «cada texto pretende ser um hino aos passos de quem não se queixa dos sapatos. Se os pés amassem o destino, se amassem para onde vão, eu vou para lá nem que seja descalço». Luta contra o cancro, mas quer partilhar e dar o que tem. «A única coisa que eu posso oferecer é o olhar. Sou feliz das minhas limitações. Limites não tenho», afirma.



A todos, leitores e não leitores, deixa um desafio: «Cada um nas suas circunstâncias a dar conta dos sons que não ouvia e passou a ouvir, das pessoas cuja ternura, cujo coração foi capaz de visitar na peregrinação interior que lhe dá tempo. A grande mensagem deste livro: saborear o momento. Quando olhamos para as coisas, para o tempo, para a vida, para o interior das coisas... Como é bom encontrar nas esquinas Deus que nos visita.»

Em véspera de Pentecostes, o cónego João Aguiar Campos fez uma analogia e um pedido: «Hoje já não estamos com as portas fechadas por medo dos judeus. Deus queira que não fechemos as portas com medo do Espírito Santo.»

A apresentação da obra coube a D. Américo Aguiar. O bispo auxiliar de Lisboa responsabiliza o cónego João Aguiar por ter sido escolhido para este cargo. «No Céu havemos de resolver isto. Estou convencido cada vez mais que foi da decisão de desencaminhar este vosso amigo para Lisboa e para estas funções que tudo aconteceu. Estou convencido de que é tudo culpa dele. Como é culpado disto, não sei se ele pode usar, mas vou-lhe oferecer para quando olhar para ele se lembrar de mim e rezar para que eu seja o bispo que a comunidade precisa e que Deus quer.» Ao mesmo tempo, tirava do bolso do casaco um solidéu de bispo que entregou ao amigo cónego. «É um gesto de gratidão. Ele é dos poucos que diz o que é preciso dizer. E vai continuar connosco a dizer o que é preciso dizer, a ler a realidade a transmiti-la da melhor maneira», afirmou o prelado.



O cónego João Aguiar Campos agradeceu o gesto e ficou sem palavras, reconhecendo que «o D. Américo é hoje um irmão pelo qual tenho muita vaidade, alegria e gratidão». Nos tempos de doença que vive, admite que costuma rezar pelo amigo: «“Senhor, dá-me alguma dor, mas poupa-lhe as dores que a função lhe vai exigir.”»

O bispo auxiliar de Lisboa lembrou os tempos passados na Rádio Renascença, lado a lado, agradecendo o que o cónego João Aguiar Campos lhe ensinou ao passar a pasta. «Prolongou a sua estada em lisboa para eu fazer um estágio, para aprender os nomes, tudo. Não aprendi nada! Culpa do aluno. Mas agradeço a generosidade de continuar e deixar, o que não é fácil para ninguém. A sua bondade e generosidade fez com que prolongasse o seu mandato de forma a que a transição fosse mais suave», admitiu. D. Américo Aguiar afirma que o padre João Aguiar Campos «é uma pessoa que tem um dom muito especial, o dom da escrita e o dom de ler a sociedade, os sinais dos tempos».

O Pe. José Carlos Nunes, da PAULUS Editora, explicou a origem do livro Descalço também se caminha. «O cónego João Aguiar Campos tem publicado textos, reflexões muito bonitas, nas redes sociais. Há algum tempo que andávamos à coca destes textos. Achámos oportuno que pudéssemos recolher em livro para que pudéssemos recolhê-los em livro para que pudessem ficar próximos daqueles que têm uma afinidade, laços de amizade, de admiração para com ele e ao mesmo tempo para que não se perdessem apenas nas malhas das redes sociais estes textos que são um verdadeiro convite à vida.»
 


O livro Descalço também se caminha é composto por 350 textos e 70 ilustrações, homenageando os 70 anos do cónego João Aguiar Campos. O sacerdote nasceu em Campo do Gerês, Terras de Bouro, em 23 de Dezembro de 1949. Trabalhou durante mais de 40 anos na comunicação social da Igreja, tendo presidido ao Conselho de Gerência da Rádio Renascença e sendo responsável pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.
 
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: Ricardo Perna
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