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Confundir para reinar
07.02.2017
Há dez anos era aprovado o aborto, originando a criação de uma lei que colocava o nosso país entre os dez mais permissivos na sua aplicação, apesar dos condicionalismos que depressa deixaram de ser verificados e exigidos.

Pródiga em confusões, logo no nome (Interrupção Voluntária da Gravidez), considera-se interrupção algo que termina de vez, para sempre, quando o conceito de interrupção pressupõe a possibilidade da sua continuidade. Generalizam-se os casos mais dramáticos para se incluírem todas as situações, passando o aborto a servir, na prática, de método contracetivo. Confunde-se parteiras com parturientes, quando o Estado há muito que só penalizava as primeiras.

Da mesma forma, o momento em que se considera o início da vida humana nunca foi consensual entre os cientistas. Manda a prática penal que perante a dúvida se decida pela vida da pessoa. Porque não neste caso? «In dubio pro vita
Há uma década decidiu-se reduzir ou suprimir o serviço religioso de capelanias militares e hospitalares, por razões economicistas. Sobretudo no caso do serviço de saúde, há médicos, crentes ou não, que o recomendam… Felizmente prevaleceu o bom senso dos profissionais de saúde, em tantas situações ambíguas, dando tranquilidade a doentes e familiares.

A necessidade economicista alastrou para a criação de dificuldades no sustento de lares e centros de acolhimento aos cuidados da Igreja ou de ordens religiosas e outros, em vez de se começar por rigorosos controlos a espaços criados clandestinamente para o efeito.
Esta forma de pegada ideológica prosseguiu no âmbito escolar em relação as escolas com contrato de associação tantas vezes confundidas com colégios privados que aplicam mensalidades e oferecem serviços que se podem considerar secundários, mas que são pagos pelos próprios.

Há poucos meses surgiu a questão do pagamento de IMI a todos os imóveis da Igreja, contra o que está estabelecido na Concordata, instituída entre o Estado e a Santa Sé em 2004. As entidades religiosas tiveram de recorrer aos procedimentos legais invocando os princípios da Concordata, ignorados pelos responsáveis dos serviços fiscais ou pela tutela. Terá sido uma forma de deitar o barro à parede, se voltar a acontecer, caso não haja uma atuação concertada por parte da Igreja junto das autoridades competentes.

A presença da Igreja, dando provas de estar junto dos mais carenciados, é secular. Atualmente, o Estado está bem dotado, e é bom que assim seja. As enormes estruturas não substituem, porém, a dádiva do calor humano que nada regateia e se pauta por uma entrega franca e desinteressada, sensível ao coração de todos.