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Consequências
14.11.2016
Se calhar, é altura de começarmos a ouvir aquilo que dizemos aos nossos filhos: «os vossos atos têm consequências e têm de lidar com elas». Daqui não fica excluída a necessidade de refletirmos sobre o que nos rodeia e de tirarmos lições. A ausência de atos, o cruzar de braços, o ficar a ver, o «não tenho que ver com isso» também nos podem cair com força sobre os ombros. E quando caem, depois não queremos, não fomos nós que escolhemos, não conseguimos acreditar em tamanho retrocesso, nunca pensámos ser possível e, qual tragédia divina, estamos todos a ser castigados… pelos atos dos outros, obviamente, porque nós não fizemos nada de mal e somos todos boas pessoas.

E faço já aqui a ressalva de que este texto é uma autocrítica, portanto, para utilizar uma expressão bem portuguesa, contra mim falo! Escudo-me, vezes sem conta, no meu otimismo e fé nas pessoas e fico à espera que corra tudo bem. Porque às vezes dá trabalho pensar, é verdade. Dá trabalho procurar informação para além da que nos é posta no colo pelos órgãos de informação (já se vê que – nunca no sentido literal, só no figurado – devia “cortar os pulsos”, já que contra mim falo duas vezes). Dá trabalho estudar, analisar, no fundo, interessarmo-nos pelas coisas. Pior um pouco se tivermos de mudar comportamentos, por exemplo: Alterações climáticas? Cidadania ativa? Integração na comunidade? Proatividade na saúde?

Adotamos uma postura de «isto não é comigo», «isto não me vai afetar diretamente», «não há de ser nada» e vestimos o nosso fato de superioridade que subestima o que temos a certeza que não vai acontecer. Asneira! Porque depois, quando não acontece o que queremos, indignamo-nos, revoltamo-nos e queremos tornar errado, ilegal, injusto, etc, tudo aquilo que deixámos acontecer.

Em pouco tempo, uns queixaram-se de um assalto ao poder do governo de António Costa, outros continuam à procura de uma brecha que os tire do Brexit, agora há ainda quem, de tanto desdenhar de um candidato que nunca iria ser eleito, ande à procura do fora-da-lei que lhe “roubou” o país naquele dia, porque aqueles não são os seus valores, não é a sua pátria e também… não é o seu presidente.

E passa a viver-se à procura do “crime” que foi cometido e da “ilegalidade” que certamente está lá e que vai repor tudo no lugar certo.
Só que na maioria das vezes, as coisas estão no lugar “certo”, naquele em que deixámos que elas acontecessem. A chatice é que o “lugar certo” em que as deixamos acontecer é muitas vezes o lado errado.