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Continuamos esta cadeia?
20.08.2018
Baseado no livro Pay it forward, Favores em cadeia é um filme já com alguns anos (2000), mas simples, sem grande valor cinematográfico, recebendo inclusive grandes críticas na altura. Contudo, tem tido uma grande aceitação junto do público mais jovem. Trata-se de uma narrativa que lida com a gratuitidade e sobre dar sem receber nada em troca. Retrata o que os jovens sentem numa sociedade ameaçada pelo individualismo e o relativismo. Todos eles têm a nostalgia de uma verdadeira solidariedade.

Sem querer ser spoiler e abreviando a história, posso revelar que se desenrola em Las Vegas, onde o destino é deixado ao acaso e tudo gira em torno do fácil e do dinheiro. Trevor é um jovem com doze anos que vive com a mãe alcoólica. Na escola é encorajado por um professor carismático, cujo rosto queimado revela um passado bastante trágico, a criar uma iniciativa única para melhorar o mundo. A ideia consiste numa estrutura em pirâmide onde se fazem favores aos outros desinteressadamente. É uma espécie de jogo: cada vez que alguém recebe um favor, deverá retribuir o ato de benevolência a mais três pessoas e assim por diante até se formar uma enorme cadeia de boas ações. Para grande surpresa de todos, a generosa proposta proporciona grande impressão entre as pessoas e acaba por se tornar viral.

A meu ver, este filme mostra claramente como as ações têm um impacto sobre os outros, não apenas de uma forma direta, mas também indiretamente. Um ato comprometido e responsável para com a felicidade dos outros pode ser contagioso. A ideia de Trevor é criativa e atraente na sua simplicidade. Nasce com a bondade de cada um, acreditando que é possível reconstruir o mundo onde a solidariedade, a confiança nos outros, o envolvimento pessoal, a procura de um sentido de vida, o respeito e a bondade fazem toda a diferença.

Importa realçar que o que cada um de nós pode contribuir para a vida dos outros é único e insubstituível. E o facto de agirmos por omissão, simplesmente porque temos medo, faz com que o mundo fique mais pobre. O Trevor não teve receios de se dar aos outros, de ter uma atitude de generosidade, foi inocente na sua maneira de agir. Apenas pensou: o que posso fazer por ti? Sem dar nenhuma ênfase ao que os outros poderiam fazer por ele.

E tu, jovem, o que podes fazer para mudar o mundo?

Podes partilhar as tuas coisas: talvez alguma peça de roupa, um livro ou até a tua refeição. A tua companhia e a tua conversa podem ser de grande ajuda para outra pessoa. Qualquer hora é boa para mostrar que estás disponível e que sabes escutar. O verdadeiramente difícil é não partir para a crítica, mas sim oferecer um conselho ou uma sugestão que leve o outro a melhorar. Não é exagerado encorajar-te para que as tuas palavras sejam sempre amáveis. Recorda não te apegares demais em ter: as coisas podem ir e vir. É mais importante cuidar das pessoas e dos seus sentimentos.

Às vezes, caminhamos tão rápido na vida que não paramos para ver aqueles que nos rodeiam. Às vezes, estamos tão ocupados a pensar nas nossas próprias vidas que acabamos por esquecer que os outros também vivem as suas próprias situações. Por isso, são bem-vindas todas as tentativas de altruísmo e solidariedade: pensar e agir com os outros, ajudando-os a solucionar os seus problemas ou, pelo menos, a aliviá-los um pouco. Todas elas são fagulhas instantâneas saídas da mesma fogueira –  a fogueira do Amor –  e sim, fazem-nos vibrar a alma. Neste sentido, sabemos que construímos uma verdadeira comunidade de solidariedade e não quebramos a cadeia. Lembra-te: a união faz a força e o amor a diferença.