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Crescer na era digital – A regra 3-6-9-12
29.04.2019
A experiência com a inovação técnica é algo que o homem foi adquirindo ao longo dos tempos. E é essa experiência que distingue cada geração. Falo, por exemplo, da geração da imprensa, da geração da rádio, da geração do gira-discos, da geração da televisão e da nossa geração, a atual, a geração do telemóvel.
 
Perante isto, existe uma verdade que não podemos esquecer: cada vez que a Humanidade dá um salto significativo na área da tecnologia, predominam consequências culturais, sociais e económicas profundas. Os historiadores chamam-lhes as épocas de mudança. E está certo, pois, afinal, acabam por ser verdadeiros marcos, que assinalam um antes e um depois. Ora, pensem um pouco comigo – como seria a nossa vida sem um smartphone? De facto, o impacto do telemóvel é uma das maiores e mais rápidas transformações sociais da história da Humanidade.
 
Até há bem pouco tempo, e não é preciso recuar muito, os media tradicionais trabalhavam com o registo de um espectador passivo. Quer isto dizer que as pessoas ficavam acomodadas e limitavam-se a observar sem que houvesse grande interação com os aparelhos. Porém, os media digitais vieram revolucionar e alterar por completo essa conexão. Trazendo uma pluralidade de ações muito mais ativas, tornando a interação mais viva e criativa. Passa-se, portanto, de uma época de passividade para uma outra repleta de atividade, num piscar de olhos. Convém, ainda, destacar que este fascínio todo à volta dos ecrãs, telemóveis e tablets não acontece à toa. As cores, as luzes, os sons, as animações são muitíssimo estimulantes e pedem bastante atenção.
No entanto, é preciso estarmos atentos e embora saibamos que os smartphones, a internet e as redes sociais são ferramentas de adultos e para adultos, as nossas crianças e os nossos adolescentes não se encontram alheios a esta nova realidade. Afinal de contas, eles já nasceram nesta época. Como conselho e sugestão, gostaria de falar-vos sobre a “regra 3-6-9-12”, divulgada pela Associação Francesa de Pediatria Ambulatória (AFPA). Trata-se de uma regra que fica facilmente na memória, reparem que os números são múltiplos de 3. Mas que nos baliza de forma certeira em relação às idades e ao que, como pais, podemos e devemos permitir neste mundo digital. Claro que cada família e cada criança é um mundo imenso, com interesses e ritmos de aprendizagem distintos, os quais devemos sempre respeitar. Contudo, esta regra poderá ser uma ajuda indicativa preciosa.
 
Assim, não devemos:
– disponibilizar qualquer tipo de ecrã a crianças com menos de 3 anos;
– permitir a utilização de consolas de jogos, portáteis, antes dos 6 anos;
– deixar navegar na internet antes dos 9 anos, e se o fizerem deverão estar sempre acompanhados pelos pais.

E só devemos permitir que:
– ingressem na internet a partir dos 12 anos e sempre com regras acordadas.
 
Pensar que as crianças e os adolescentes sabem mais que os adultos pode ser um equívoco. Eles só têm o conhecimento instrumental do telemóvel e não conseguem avaliar os perigos a que estão expostos quando o utilizam. Cabe a nós, pais, zelarmos, fiscalizarmos e ficarmos de olho neles. E, para que assim aconteça, temos de “estar, falar e acompanhar”.
Fica a dica!