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Cuidados Paliativos: 13 recomendações ao mundo
05.03.2018
O Congresso Internacional de Cuidados Paliativos reuniu 390 especialistas de 38 países, em Roma, na semana passada. O encontro terminou com a publicação de 13 recomendações para melhorar os cuidados paliativos no mundo inteiro. Estas recomendações fazem parte do livro branco para a defesa dos cuidados paliativos globais, elaborado pelo Pal-Life, Grupo de Trabalho Consultivo Internacional para a Difusão e Desenvolvimento dos Cuidados Paliativos no mundo, constituído por especialistas do mundo inteiro. O documento pretende «apresentar as recomendações mais importantes para os diversos grupos de atores envolvidos no desenvolvimento dos cuidados paliativos a nível global».



No documento agora divulgado e disponível na internet, estima-se que «40 milhões atualmente precisam de cuidados paliativos todos os anos». Um número que deverá aumentar por causa do envelhecimento da população e a prevalência de doenças crónicas em todo o mundo.
Aos responsáveis políticos, recomenda-se que reconheçam «o valor social e ético dos cuidados paliativos» e que modifiquem as políticas e estruturas por forma a «permitir o acesso universal aos cuidados paliativos a todos os doentes com doenças crónicas progressivas antes da morte».

Trabalhadores na saúde devem ter formação em cuidados paliativos
As universidades que formem trabalhadores na área da saúde «(médicos, enfermeiros, farmacêuticos, assistentes sociais, capelões, etc.) devem incluir a formação básica em cuidados paliativos» Já os farmacêuticos são aconselhados a «trabalhar para proporcionar mecanismos eficientes para composição extemporânea de formas de  dosagem não standard e devem encontrar maneiras de as tornar disponíveis e acessíveis para os doentes, especialmente quando não há fórmulas genéricas mais baratas disponíveis no país». As associações e ordens profissionais devem «apoiar a defesa de políticas regionais e globais».  

A morfina é eleita como «o primeiro fármaco para o tratamento da dor moderada ou severa do cancro e deve estar disponível, especialmente a que se ingere por via oral de libertação imediata». Aos meios de comunicação social é pedido que participem na «criação de uma cultura de compreensão acerca da doença avançada e do papel dos cuidados paliativos durante a doença». Entre as 13 recomendações, há uma específica para as instituições religiosas e grupos espirituais. «Os líderes e organizações religiosas devem advogar a inclusão da atenção espiritual nos cuidados paliativos a nível local, estatal e nacional. Igualmente hão de garantir o alargamento e desenvolvimento de assistentes espirituais ou capelões», pode ler-se no documento.

Igualmente se recomenda que todos os hospitais e centros de saúde garantam «acesso medicamentos básicos para os cuidados paliativos, em particular aos opiáceos como a morfina, que faz parte da lista dos medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde».

Foto de arquivo

Papa: «Família tem papel único»
O congresso internacional sobre cuidados paliativos decorreu em Roma, na semana passada sob o título «CUIDADOS PALIATIVOS: EM TODO O LADO & POR TODOS. Cuidados paliativos em todas as regiões. Cuidados paliativos em todas as religiões ou crenças». Na abertura dos trabalhos foi lida uma mensagem do Papa. Francisco enalteceu a importância da família neste caminho: «Assume um papel único como local onde a solidariedade entre as gerações se apresenta em si mesma como constitutiva na comunicação da vida e onde a ajuda mútua é experienciada mesmo em épocas de sofrimento ou doença. Precisamente por esta razão, nos últimos estádios da vida, a rede familiar constitui ainda o elemento fundamental.» O Santo Padre pediu que se continuasse «a reflexão e a divulgação da prática dos cuidados paliativos». «A complexidade e a delicadeza dos temas presentes nos cuidados paliativos requerem reflexão contínua e a divulgação da sua prática para facilitar o acesso: uma tarefa na qual os crentes podem encontrar companheiros em muitas pessoas de boa vontade», afirmou o Papa. A mensagem de Francisco foi lida pelo Mons. Renzo Pegoraro. O Papa lembrou que «o Papa Pio XII claramente legitimou, distinguindo-os [os cuidados paliativos] da eutanásia, a administração de analgésicos para aliviar dores insuportáveis que não são tratáveis de outra forma, mesmo se, na fase de morte iminente, eles podem causar um encurtamento da vida». O Sumo Pontífice alertou que «o critério ético não muda, mas o uso destes procedimentos requere sempre discernimento cuidadoso e grande prudência». O Papa enalteceu a presença, no congresso, de representantes de diferentes religiões e culturas.
 
Texto: Cláudia Sebastião
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