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D. Américo Aguiar é o novo bispo auxiliar de Lisboa
01.03.2019
O Papa Francisco nomeou hoje o Pe. Américo Aguiar como bispo auxiliar de Lisboa. O novo prelado assume o lema episcopal "In manus tuas", o mesmo de D. António Francisco dos Santos, falecido bispo do Porto, de quem o Pe. Américo foi colaborador próximo. Uma «sentida homenagem» ao prelado, conforme confirmou à Família Cristã.



D. Américo Aguiar acolheu a notícia com uma «disponibilidade» centrada no exemplo que viveu na Jornada Mundial da Juventude no Panamá, onde participou. «Isto acontece num contexto particular de eu ter estado na Jornada Mundial da Juventude e de termos ouvido, cantado, celebrado o Eis a Serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra. Ao receber a notícia, viajei no tempo e conclui que não há coincidências, e que Deus providencia e tudo está ligado. O que o Papa dizia aos jovens de sermos influencers de Deus foi aí que encaixei tudo isto. Quando no dia da nossa ordenação o bispo nos perguntou “prometes-me obediência e reverência?” vamos lá então, alegres e felizes», declarou à Família Cristã.
 
Para o novo bispo, que será ordenado no Porto a 31 de março, o importante no seu novo ministério é viver olhando para a figura do Bom Pastor. «Não podemos tirar os nossos olhos do Cristo Bom Pastor, de sermos uns para os outros e de estarmos atentos uns aos outros nesta relação de Bom Pastor e de atenção de um modo especial a todos aqueles e aquelas que vivem nas periferias, que não são tanto geográficas, mas existenciais», afirmou, acrescentando que «ao nosso lado, em Lisboa ou no Porto, existem ao nosso lado situações de abandono, de pessoas que se sentem não acompanhadas, com problemas, trevas, falta de Norte, de esperança, e nós somos chamados a ser isso».
 
A Igreja Católica passa por uma fase «sensível», como reconhece D. Américo Aguiar, mas que também é «particularmente importante». «Significa uma exigência que cada um de nós coloque à sua própria vida e na atenção ao olhar misericordioso em relação aos outros e em relação aos que são os mais frágeis», sustentou.
 
O novo prelado aponta a necessidade de o «comportamento» dos bispos representarem a «presença e a figura do Bom Pastor». «Se eu sou a figura do Bom Pastor para alguém, o meu comportamento, os meus gestos, têm de fazer sentido nesse contexto e não no contexto do lobo, cujo interesse não é cuidar das ovelhas, mas porventura tratar mal e não querer o melhor para elas», defendeu.

Antigo escuteiro, à semelhança de D. Manuel Clemente e D. António Francisco dos Santos, a história da sua vocação está muito ligada ao movimento escutista. «Tudo o que está a acontecer começou nos escuteiros. O lema “sempre alerta para servir” foi-me comunicado nesse contexto que é único do Corpo Nacional de Escutas e do escutismo mundial, que desta vez encrencou para dar nisto. Quando era miúdo fui para a catequese, mas a catequista era "chata" e eu saí. Em 1987 anunciam que vão abrir um agrupamento de escuteiros em Leça do Balio, e eu era, e sou até hoje, fã do Pato Donald e dos seus sobrinhos, e sempre fui escuteiro mirim, de uma forma poética. Fui logo inscrever-me mas disseram-me que só podia entrar se andasse na catequese. Fui para casa de rastos, e decidi ir para a catequese só por causa dos escuteiros. Agora vê lá o que é que deu... (risos)», diz a rir.
 
Falar e comunicar são parte do currículo do novo bispo auxiliar de Lisboa, que volta a colaborar mais de perto com D. Manuel Clemente, Cardeal Patriarca de Lisboa, depois de ter servido como seu assessor na diocese do Porto. Ligado há muitos anos às questões da comunicação, reconhece que é preciso ter «disponibilidade» para falar e opinar, mas vai avisando que o «espaço mediático» não pode ser apenas para a «hierarquia». «Quando falamos da Igreja parece que só acontece na hierarquia da mesma, e cada vez mais temos de ter no espaço mediático e público homens e mulheres devidamente formados que sejam capazes de partilhar uma leitura crente da realidade e da sociedade», declarou.
 
Apesar disso, e reconhecendo que nestas coisas o trabalho acontece «à velocidade que conhecemos», D. Américo Aguiar está disponível para ser um «acelerador de partículas» no incentivo a uma relação melhor dos bispos com a comunicação social.
 
O novo prelado vai manter o seu cargo como presidente do Conselho de Administração da Rádio Renascença e deixa o lugar de diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

Dados biográficos
Natural da Diocese do Porto, D. Américo Aguiar nasceu a 12 de dezembro de 1973 e foi ordenado sacerdote em 2001; é presidente da Irmandade dos Clérigos desde 2011 e, desde 2016, presidente das empresas do Grupo Renascença Multimédia e diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

O novo bispo auxiliar de Lisboa enviou uma saudação, através das redes sociais e do canal do Patriarcado, no YouTube, com uma mensagem onde afirma a «alegria do anúncio do Evangelho». «Venho ao encontro de cada um de vós, dos mais velhos, dos mais novos, dos doentes, dos que vivem tantas e tantas circunstâncias da vida, momentos de treva, dificuldade, e porventura até se sentem abandonados», assinala.

D. Américo Aguiar escolheu para lema episcopal as últimas palavras de Jesus na cruz, ‘In manus tuas’ (Nas tuas mãos), em homenagem a D. António Francisco, que o adotou também.

O bispo auxiliar de Lisboa foi nomeado com o título simbólico de Dagno, diocese histórica na atual Albânia.



(atualizado às 11h41 com declarações de D. Américo Aguiar à Família Cristã)
 
Texto e foto: Ricardo Perna
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