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D. António Marto propõe «maior integração» de recasados
15.06.2018
O bispo de Leiria-Fátima tornou pública uma nota pastoral com orientações para um «caminho de acompanhamento e discernimento» para «maior integração eclesial dos fiéis divorciados a viver em nova união». Com o título «O Senhor está perto de quem tem o coração ferido (Sl 34, 19)», o documento refere que é preciso tratar quem se divorcia e inicia um novo relacionamento com «acolhimento com misericórdia» através de «um atento discernimento e um acompanhamento com grande respeito». Isso deverá ser feito com os sacerdotes «num caminho de acolhimento, conjugando caridade e verdade» e por «homem e a mulher juntos, ou somente por um deles». A ideia é não perder de vista o «fundamental» que é «o anúncio do amor e da ternura de Cristo, que estimule ou renove o encontro pessoal com Jesus Cristo vivo (cf. AL 58), e não o aspeto juridicista ou moralista da lei».
A primeira etapa é verificar se há condições para «nulidade do matrimónio no Tribunal Eclesiástico». Se não houver, D. António Marto defende a hipótese «compromisso de viverem em continência conjugal», mesmo reconhecendo «as dificuldades de tal opção». «Neste itinerário de discernimento, quando as circunstâncias concretas de um casal o tornem factível, especialmente quando ambos sejam cristãos com um caminho sólido de fé, pode-se examinar a possibilidade do compromisso de viverem em continência conjugal», diz a nota pastoral.
Foi criado um guião de apoio onde são definidos todos os casos que devem ser dados nas cinco etapas que o bispo de Leiria-Fátima define: «a) oração e exercícios espirituais, com vista à aquisição da liberdade interior; b) memória e exame de consciência acerca do matrimónio sacramental e das suas consequências, com vista à aceitação, reconciliação interior e “cura” das feridas; c) avaliação da relação atual, bem como da consciência da presença de Deus e da vida espiritual dos dois envolvidos e da sua família; d) discernimento da vontade de Deus para eles neste momento e da melhor maneira de a pôr em prática; e) avaliação final do percurso e confirmação da decisão.»

O caminho deve ser percorrido pelos próprios e ao sacerdote cabe ouvir, acolher e ajudar.
A finalidade deste discernimento e acompanhamento não é dar «uma “autorização” geral para aceder aos sacramentos». D. António Marto explica que se trata «de um percurso de discernimento pessoal, no foro interno, isto é, na consciência, acompanhado em encontros regulares por um pastor, que ajuda a distinguir adequadamente cada caso singular à luz do ensinamento da Igreja». O papel do sacerdote acompanhante não é «tomar a decisão, mas assegurar que todo o processo decorreu como devia e reconhecer o papel da consciência das pessoas». Se for esse o caso, a decisão da pessoa ou casal é confirmada por ele. «Então, com a ajuda do orientador espiritual e a sua assinatura, a pessoa ou o casal redigirá um testemunho do percurso e da decisão, em dois exemplares. Um fica na sua posse e o outro é enviado ao bispo diocesano, para seu conhecimento», explica a nota pastoral.



O ponto quinto da nota pastoral estabelece os critérios para fazer o exame de consciência partindo da Amoris Laetitia: «Através de momentos de reflexão e de arrependimento», «questionar-se como se comportaram com os seus filhos quando a união conjugal entrou em crise», «se houve tentativas de reconciliação», «como é a situação do cônjuge abandonado», «que consequências tem a nova relação sobre o resto da família e da comunidade dos fiéis» e «que exemplo oferece a nova relação aos jovens que se devem preparar para o matrimónio».

Na diocese de Leiria-Fátima, este acompanhamento aos divorciados em nova união será assegurada pelo Serviço de Apoio à Família, do Departamento de Pastoral Familiar da Diocese. Mas D. António Marto deixa um desafio a todos: «Exorto, por fim, as comunidades cristãs a serem abertas a um verdadeiro acolhimento, dispostas a prestar atenção às situações difíceis, pacientes em propor caminhos de discernimento, generosas em favorecer possibilidades e lugares de integração; numa palavra, sensíveis à misericórdia divina, porque “o Senhor está próximo de quem tem o coração ferido” (Sl 34, 19).»

A nota pastoral agora divulgada retoma o trabalho e o documento feito pelos bispos da região centro e que inspirou outras dioceses a definirem as suas próprias normas para o discernimento dos casais em segunda união.
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