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D. Jorge Ortiga pede ao novo arcebispo que «não tenha medo»
12.02.2022
D. Jorge Ortiga, que deixará hoje, dia 12, de ser arcebispo de Braga com a tomada de posse, de D. José Cordeiro, pretende viver uma vida de «pobreza» e «desaparecer» para só aparecer «quando assim for solicitado» pelo novo arcebispo.

Foto de Arquivo 
Em declarações à Agência Ecclesia, indicou que irá passar a residir no Seminário Conciliar de Braga com um plano de «pobreza». «O meu plano é ser pobre mas ativo e útil para servir a Igreja», sublinha, mantendo-se «desaparecido» e a aparecer «quando assim for solicitado» pelo novo arcebispo.
 
D. Jorge Ortiga, que foi arcebispo de Braga durante 22 anos, afirmou que «tenho um princípio na vida que é viver o momento presente. Estou na disponibilidade e pobreza interior muito grande. No encontro com os sacerdotes em dezembro disse que a minha intenção era desaparecer, mas à semelhança de Maria, um desaparecer presente, que aparece quando é preciso», contou.
 
A D. José Cordeiro, que hoje toma posse como arcebispo de Braga, o bispo emérito pede que «não tenha medo». «Que não tenha medo. O trabalho poderá ser imenso, mas que não tenha medo e acredite nas pessoas. Que sinta a força do Espírito, vou rezar por isso. Asseguro a minha unidade plena, que avance, que as pessoas do Minho são boas pessoas, estão ávidas, precisam de retificar a religiosidade, mas é preciso mais», afirmou.
 
Nascido em Braga, D. Jorge Ortiga entrou no seminário aos 11 anos. Foi ordenado em 1967, e depois de muitos trabalhos nesta arquidiocese, entre os quais pároco, professor e reitor da Basílica dos Congregados, contando ainda com um tempo de formação e estudo em Roma, onde frequentou o curso de História Eclesiástica na Faculdade de História da Universidade Gregoriana.
 
Foi ordenado bispo a 3 de janeiro de 1988, para assumir o papel de bispo auxiliar em Braga, auxiliando D. Eurico Dias Nogueira, que era quem estava à frente da Arquidiocese naquela altura numa atitude de «complemento». «O D. Eurico tinha a experiência intelectual, como professor de Coimbra e essas coisas. Tinha a experiência de passar por Igrejas em países de missão, como Angola e Moçambique. Tinha um ótimo relacionamento com os intelectuais de Coimbra, e eu era mais perto do povo, mais próximo. A complementaridade entre nós, sem estarmos a pensar quem devia fazer o quê, mas fazendo o que era preciso. Foi essa a minha principal preocupação como auxiliar, complementar aquilo que era preciso fazer», confessava no livro-entrevista que foi publicado após a sua resignação. Assumiu a arquidiocese de Braga como bispo titular a 18 de julho de 1999, onde permaneceu até hoje, para dar lugar a D. José Cordeiro.
 
Completou os 75 anos e pediu a sua resignação há três anos, mas apenas hoje é substituído nesse papel. Na altura da sua resignação, no livro-entrevista, confessava que não precisava de se preocupar «onde ir, porque não faltam lugares onde possa estar, e Deus vai intuir-me sobre o que fazer».
 
Sobre o seu legado, dizia que queria ser «alguém que procura semear a alegria e construir a unidade como missão de todos».
 
 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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