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D. Manuel Clemente defende contenção, «a bem da saúde pública»
07.08.2020
O cardeal-patriarca de Lisboa dirigiu uma carta ao clero da diocese, no Domingo do Bom Pastor, na qual destaca a necessidade de manter suspensão das celebrações comunitárias, «a bem da saúde pública», indicando também que a data de 30 de maio foi definida pela CEP condicionada pelo facto de o Governo não ter autorizado celebrações religiosas no país até lá. «Sabemos que o fim do estado de emergência não significou o fim da pandemia e do grande perigo de ela alastrar, se não mantivermos o cuidado necessário. O Governo não autorizou celebrações religiosas em geral até ao fim deste mês; e o Santo Padre pediu para todos nós a graça da prudência e da obediência às orientações oficiais, para que a pandemia não regresse», escreve D. Manuel Clemente, numa missiva divulgada online, evocando a atual pandemia de Covid-19.

Foto Patriarcado de Lisboa
Com o regresso das celebrações comunitárias da Missa adiado até 30 de maio, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa assume «a dificuldade pessoal de assim ter de ser, a bem de todos». «Como vós, fui formado para acompanhar presencialmente o Povo de Deus, em especial na celebração eucarística e demais sacramentos, cuja administração nos define e realiza. Assim voltará a ser, logo que possível, como o Povo de Deus tanto anseia – e nós com ele», precisa.

O Cardeal-Patriarca de Lisboa afirma que, «no que nos cabe, defendemos a saúde dos fiéis e anunciamos a vida ressuscitada de Cristo. Essa mesma que não precisa que lhe abram a porta para se manifestar perto ou longe».

A carta aos sacerdotes começa por saudar a «dedicação demonstrada ao Povo de Deus». «Especialmente neste tempo difícil, em que a presença física tem de ser quase substituída pelos meios de comunicação, antigos e novos, ao nosso alcance. Tem sido grande a vossa ação e criatividade neste sentido», refere D. Manuel Clemente.

Publicada no primeiro dia após o final do estado de emergência, a carta aponta aos reencontros, desejando que os meios usados durante o confinamento se possam alargar a «auditórios mais vastos». «Como tenho verificado e ouvido a vários de vós, nunca chegámos a tantas pessoas e a tantos lados como agora. E mesmo a muitos não cristãos ou não praticantes, encetando assim um contacto promissor», acrescenta.

O cardeal-patriarca de Lisboa assinala que muitas famílias testemunham como o confinamento obrigatório foi «ocasião de se redescobrirem como ‘igrejas domésticas’, com o Ressuscitado bem presente nos seus lares». «Também esta é uma experiência a não perder, complementando as celebrações comunitárias a que voltaremos assim que pudermos, como corpo eclesial de Cristo», pede D. Manuel Clemente.
 
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia)
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