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De Cabo Delgado chegam «histórias de terror»
24.03.2021
Ulrich Kny é o responsável pelos projetos da Fundação AIS para os países de África. Ele diz que «quase semanalmente chegam de Moçambique novas histórias de terror» que revelam um agravamento da situação humanitária. Este responsável diz que por isso Moçambique é um país de «prioridade máxima» e que o objetivo é ajudar o maior número de pessoas. «Qualquer forma de auxílio ajuda a aliviar o sofrimento desta gente oprimida e desenraizada», que fugiu por causa dos ataques.

Ulrich Kny elogia o papel da Igreja Católica, dizendo que «é uma âncora de esperança e caridade num mar de sofrimento e violência».
A Organização das Nações Unidas contabilizou no final de 2020 670 mil deslocados e mais de dois mil mortos. Uma realidade que Ulrich lamenta passe despercebida «em grande parte pela comunidade internacional».

Também o padre Edegard Silva, missionário brasileiro em Pemba, traçou um cenário muito difícil na região. Este sacerdote vivia na missão católica de Nangololo, destruída pelos terroristas no final de outubro do ano passado. Ele contou à Fundação AIS que os ataques continuam, agora mais no distrito de Nangade. «Nestes dias, os frades que atendem essa região, receberam a informação de que houve ataques constantes a 10 de Março, ataques que estão a acontecer lá na região de Nangade.» Além da violência «com a seca e a falta de terra e o pessoal sem ter como plantar sobretudo o milho [que é a base da alimentação para mais de 90% da população local], nós estamos já a prever uma grande fome para este ano de 2021».

Também se têm registados casos de cólera e de malária, cujos tratamento e prevenção são dificultados por haver milhares de deslocados. «O sistema de saúde que já era difícil, que não respondia já à demanda do dia a dia, agora vê-se diante de uma situação ainda mais agravante que é esta população deslocada ter de procurar o posto de saúde ou o hospital para esses casos mais constantes que são a malária e a cólera…», afirma o padre Edegard.
Ulrich Kny, responsável pelos projetos da Fundação AIS para países de África.

Os deslocados vivem em situações muito precárias: «Quando essas pessoas se deslocam, tem duas situações: ou vão para junto de familiares ou conhecidos, para aí morarem em pequenas casas e nós presenciamos grupos com 20, 25, 30 pessoas em casas pequenas, ou vão para os assentamentos sobretudo na nossa região no distrito de Metuge. Na verdade, o que chamam de casa é uma rede mosquiteira para sobretudo à noite não serem picados. A casa é uma rede mosquiteira...»

A Fundação AIS deu uma primeira ajuda no valor de 160 mil euros que permitiu «distribuir comida aos refugiados», relata Kny. E inicou um outro projeto para prestação de assistência psicossocial aos refugiados, tendo sido formadas já mais de 120 pessoas para este acompanhamento.

 
Texto: Cláudia Sebastião
Foto: Fundação AIS
 
 
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