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Doença de Alzheimer: Dia a dia da prevenção
28.09.2020
Celebra-se em setembro o mês da doença de Alzheimer. A doença, reconhecida sobretudo pela “falta de memória”, gera receio em quem avança na idade. Sem cura definitiva e com várias áreas por investigar, a ciência continua a trabalhar para obter fármacos mais eficazes. Mas, mais uma vez, cada um de nós pode ter um papel na prevenção, com coisas simples, de todos os dias.
A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Esta é uma doença neurodegenerativa que atinge as células do cérebro, é progressiva e irreversível; ou seja, ao longo do tempo, a doença vai progredindo, atingindo cada vez mais funções cognitivas ou capacidades que, uma vez perdidas, não se voltam a recuperar.
Há vários sintomas que apontam para o diagnóstico da doença, sendo a perda de memória recente o mais reconhecido pelas pessoas em geral.

Não se consegue ainda saber as causas desta doença. No diz respeito aos fatores de risco, ainda há investigação a ser desenvolvida. Sabe-se, para já, que fatores genéticos, a idade e lesões no cérebro, como um traumatismo craniano grave, são fatores de risco (não fatores absolutos) associados à doença. Assim como a coexistência com outras doenças, nomeadamente das que também podem afetar o cérebro.

Qualquer pessoa, em qualquer idade, pode sofrer de algum tipo de demência. Envelhecimento e demência não são sinónimos e a demência não é normal no envelhecimento, mas esta é uma doença que atinge, com maior incidência, pessoas com mais de 65 anos.

O diagnóstico é elaborado através da observação do doente, da sua história familiar, clínica, psiquiátrica, etc., e ainda não há um exame físico específico que se traduza num resultado que signifique um diagnóstico (como, por exemplo, uma análise ao sangue que diagnostica uma anemia). Uma equipa do Instituto Superior de Engenharia do Porto está a desenvolver investigação de um sistema de biossensores que permita, através da deteção de três biomarcadores associados à doença, detetá-la muito rápida e precocemente, o que poderá vir a permitir retardar os efeitos da doença.

Embora não exista uma cura para a doença, já existem terapias e fármacos que ajudam a controlar e a retardar os seus efeitos.
Quando não se sabe as causas é mais difícil encontrar formas de prevenção. No entanto, sabendo determinar alguns fatores de risco, sabendo como a doença se desenvolve e como se conseguem retardar os efeitos, é possível fazê-lo. E neste momento, como refere o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) Health at a Glance 2017, já é possível indicar que há «alguma evidência de que pode ser possível reduzir o risco de demência através da adoção de estilos de vida mais saudáveis».

Esta é a parte em que cada um de nós pode intervir como forma de prevenção, à semelhança de outras doenças, da doença de Alzheimer, adotando hábitos e comportamentos que se revelem protetores não só da saúde global mas também do cérebro.
A adoção de uma dieta mediterrânica contribui como forma de prevenção. A ingestão de legumes e frutas ricos em antioxidantes e ácido fólico (brócolos, beterrabas, espinafres, couve-flor, frutos vermelhos, laranjas, bananas, feijões, grãos e cereais), vitamina E e vitamina B12 e ómega 3 (como nozes, legumes de folhas verdes, carnes brancas, ovos, leite e peixe) e de gorduras boas, como o azeite, evitando os fritos, é um dos hábitos que devemos manter.

O exercício físico (30 minutos diários), assim como a alimentação, contribui para manter afastadas outras doenças associadas a um risco maior de desenvolver demência: doenças cardíacas, derrames e diabetes, obesidade, hipertensão.
Também é importante manter uma rotina de sono com horas de descanso suficientes (a importância do sono não deve ser subestimada, principalmente em tudo o que diz respeito ao cérebro) e deixar de lado hábitos prejudiciais como fumar e beber em excesso.

A segurança pessoal (prevenção de quedas, de acidentes rodoviários) é outro dos fatores preventivos relativamente à doença de Alzheimer. Tendo em conta que um traumatismo craniano grave é um fator de risco a valorizar, devemos lembrar-nos de mantermo-nos seguros, principalmente a nossa cabeça.

Exercitar e estimular o cérebro é um fator protetor na prevenção da doença de Alzheimer. Jogos de memória, de estratégia, de observação, a leitura e a aprendizagem de algo novo constituem boas maneiras de manter o cérebro ativo. Ainda neste contexto, é importante manter uma vida social (e familiar e afetiva) ativa. Os tempos que vivemos são propícios a que esta forma de prevenção possa ser menos explorada, mas por isso mesmo tem de ser particularmente lembrada nesta altura.

Também nesta altura importa lembrar que o acompanhamento do estado geral da nossa saúde, nomeadamente o contacto com o médico de família, é também um fator preventivo, não só para garantir que mantemos hábitos saudáveis e que não desenvolvemos outras doenças que constituem riscos acrescidos, mas também, na impossibilidade de travar o aparecimento da doença, garantir que a mesma é diagnosticada tão precocemente quanto possível, no sentido de se poderem iniciar as terapias e a medicação que permitam retardar ao máximo a evolução da doença e aumentar a qualidade de vida do doente.