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Educação digital: educar para proteger
15.01.2019
Vivemos num mundo hiperconectado. Acedemos a qualquer conteúdo, conhecimento, conceito, pessoa ou lugar no instante de um clique. Hoje em dia, nesta sociedade moderna em que vivemos, as novas tecnologias são uma realidade que os pais não podem ignorar, uma vez que não podem dar-se ao luxo de educar os filhos fora do ambiente digital, correndo o risco de fazerem dos filhos órfãos digitais. Afinal, tanto se educa no real como no virtual.

Todos os dias, de uma maneira ou de outra, a caminho do trabalho, nos transportes, no pátio das escolas e até à hora de almoço, nas mesas dos restaurantes, vemos crianças pequenas e adolescentes (os filhos, os netos, os sobrinhos e os amigos) com acesso a uma grande pluralidade de dispositivos diretamente ligados à internet, onde não falta todo um vasto leque de jogos e aplicações. Sabemos por experiência que estas ferramentas são muitas vezes utilizadas de forma abusiva. Quantas horas de estudo e de sono são tiradas? Quantos conteúdos inadequados são vistos?

Mas, concretamente, o que é que os pais podem fazer?
A maioria das famílias tem bastantes dúvidas sobre se é ou não adequado que os seus filhos naveguem na internet, quando é que devem começar ou, até, quais os riscos de o fazerem. De facto, a solução passa por educar para proteger, assente em estratégias de prevenção – falo de canais de proteção, designadamente os filtros, de dinâmicas familiares e de uma franca melhoria na comunicação familiar. Não esquecendo, claro, de educar nos valores digitais, especialmente na responsabilidade, na ética, na empatia, no respeito e na proteção da intimidade.

Os pais devem, pois, estar atentos à utilização que os seus filhos fazem da internet, controlando o tempo que passam conectados, a frequência com que o fazem, as razões pelas quais dizem estar conectados, a reação que têm quando são interrompidos e a atitude que mostram enquanto navegam pela internet. Não se trata de proibir o uso das novas tecnologias, mas sim de ensinar a usá-las de uma forma responsável. O desafio não é deixar de usar a tecnologia, mas sim de repensar a sua educação. É muito melhor ensinar do que proibir. Mas também é igualmente importante ensinar e acompanhar.

Fundamentalmente, o que os pais devem fazer é estabelecer normas, limites e regras claras quanto à utilização da internet, incentivar também a prática de outras atividades em especial ao ar livre e verificar se os filhos cumprem ou não com os seus deveres e responsabilidades. Devo dizer que preparar os filhos para a vida digital pressupõe desenvolver competências necessárias para compreender e aproveitar as tecnologias digitais, mas, também, aperfeiçoar comportamentos, hábitos, disposições e pensamento crítico. O ideal é conseguir formar as crianças e os jovens de maneira que saibam atuar bem, mesmo quando ninguém estiver a ver, porque de uma forma livre escolheram agir com critério.

Como todos sabemos, a tecnologia não é boa nem é má. Tem prós e contras e, como em tudo na vida, também aqui tem de existir um equilíbrio, exatamente no modo de como ela é utilizada. Por isso é tão importante desenvolver o espírito crítico. Esta capacidade é essencial para que os filhos possam lidar com a pressão dos grupos, quer dos seus amigos quer do próprio ambiente digital. À vista disto, os pais devem aspirar a que os seus filhos sejam seres pensantes e que saibam decidir sobre o que podem e devem fazer na internet. E, ainda digo mais, os pais e as mães são a ferramenta mais eficaz de proteção e educação dos filhos, através da sua presença, da sua proximidade, do seu diálogo e da sua disponibilidade.

Resta dizer-vos, queridos pais, que se sintam orgulhosos, pois são uns valentes! São da geração dos primeiros pais a educar os filhos no mundo digital. E não se esqueçam: não há um caminho feito, o caminho vai mesmo ter de ser traçado por cada um de vós.