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Educar: equilíbrio entre a razão, a vontade e a afetividade
09.05.2022
A grandeza e a força da família residem no facto de ser um ambiente propício à educação. Sucede pela razão de esta estar provida para cumprir os seus fins, um dos quais é a educação dos filhos. Educar é sem dúvida continuar a Obra de Deus. Os pais, ao iniciarem a sua família com uma promessa de amor, amam os filhos porque são seus filhos, não por causa das suas qualidades.

Cada filho tem o direito à educação, que é tão necessária para o desenvolvimento das suas capacidades. Na verdade, este direito está intimamente ligado ao direito-dever[1] dos pais de os educar. É, pois, uma missão evidente dos pais, uma vez que são os primeiros e principais educadores dos filhos. Cabe-lhes atender à totalidade da pessoa humana: corporeidade, inteligência, vontade, afetividade, sociabilidade e espiritualidade.

Todos percebemos de forma inata que é na família que a identidade das pessoas é formada, as necessidades básicas e de aprendizagem satisfeitas, a educação e os hábitos de trabalho adquiridos. É precisamente aí que as pessoas aprendem a conviver umas com as outras, à medida que regras, valores, autodomínio, responsabilidade, desenvolvimento social, equilíbrio emocional e autonomia estão a ser interiorizados. Diria mesmo, impregnados nas rotinas da família.

Assim, educar significa ensinar os filhos a esforçarem-se por melhorar dia após dia e, para isso, é necessário viver num ambiente em que o afeto, o apoio e a motivação devem estar presentes e em que a identificação e a manifestação de sentimentos se tornem algo natural nas interações entre os diferentes membros da família.

O objetivo da educação é então ensinar a pensar, a refletir e a aprofundar ou, por outras palavras, ensinar a procurar a verdade. Depois, fortalecer a vontade, para que o filho esteja em condições de seguir livremente essa verdade encontrada e superar as dificuldades com que se possa deparar. Finalmente, numa última etapa, sendo o filho um ser social aberto aos outros, cabe ensinar-lhe a dar e a dar-se, não só para receber, mas também para amar. Sobretudo, a ser amado para depois poder amar. Trata-se de encontrar um equilíbrio entre a razão, a vontade e a afetividade.

Podemos dizer que os filhos adolescentes, e mais tarde jovens, adquirem a sua própria visão do mundo e da sociedade. Tomam como elementos primários o que aprenderam, adquiriram e vivenciaram no pequeno mundo, naquela pequena e fechada sociedade que é a família, na qual a esfera dos adultos está representada pelos pais. Esta educação é conseguida através do contacto interpessoal. Os pais ajudam como pessoas que são e os filhos recebem esta educação enquanto pessoas também. O propósito destes papéis centra-se em educar os filhos, em ajudá-los a crescer, ou seja, um pai e uma mãe têm a missão de fazer de cada um dos seus filhos um Homem completo, maduro e totalmente livre.

No entanto, amar os filhos não significa poupá-los a todo o sofrimento. Este amor único inspira e guia toda a ação educativa. É preciso ter em mente que a harmonia familiar e o crescimento dos filhos só são possíveis se os pais tiverem espírito de sacrifício e se o souberem comunicar aos filhos para que se preparem para a vida.

[1] S. João Paulo II utilizava a expressão direito-dever, que tem a virtude de apontar o carácter inseparável dos dois termos do binómio.