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Encontro sobre a proteção dos menores na Igreja
18.02.2019
Como é do domínio público, o Papa Francisco convocou os presidentes das conferências episcopais, além de outros responsáveis por instituições eclesiais, sobretudo do Vaticano, para um encontro em Roma, que vai decorrer de 21 a 24 de fevereiro.

A 18 de dezembro de 2018, uma carta do comité organizador do encontro referia o questionário enviado a todos os que vão participar no encontro de fevereiro. Pedia também a cada presidente das conferências episcopais «para se aproximar e visitar vítimas que sofreram abusos por parte do clero nos seus respetivos países antes da reunião em Roma, e aprender em primeira mão o sofrimento por que passaram». Enunciava ainda os temas principais do encontro: responsabilidade, assunção de responsabilidades e transparência.

A 16 de janeiro, o mesmo comité salientava que o encontro prevê sessões plenárias, momentos de oração comum com escuta de testemunhos, uma liturgia penitencial e uma celebração eucarística final. O Santo Padre participará em todo o encontro.

Inovador na metodologia, pois é a primeira vez que se convocam todos os presidentes das conferências episcopais para tratar desta temática, este encontro vem no seguimento da prática mais recente do magistério pontifício (João Paulo II, Bento XVI e Francisco) para erradicar esta tragédia da vida da Igreja. A Carta ao Povo de Deus do Papa Francisco, de 20 agosto de 2018, sobre o drama do abuso de menores por parte de membros responsáveis da Igreja é um importante marco em todo este processo, assim como as decisões que tem tomado em relação a várias pessoas e instituições da Igreja, quando se prova ter havido abuso de menores. Os bispos portugueses, reunidos em Fátima por ocasião do Simpósio do Clero, enviaram a 6 de setembro uma carta ao Santo Padre, em que manifestam a sua plena comunhão e se propõem «seguir as orientações para erradicar as causas desta chaga e empenharem-se em incrementar uma cultura de prevenção e proteção dos menores e vulneráveis em todas as comunidades».

Não faltam orientações aprovadas pela Igreja. Também a Conferência Episcopal Portuguesa aprovou a 19 de abril de 2102 as «diretrizes referentes ao tratamento dos casos de abuso sexual por parte de membros do clero ou praticados no âmbito da atividade de pessoas jurídicas canónicas».

Para o encontro de fevereiro, estamos em plena sintonia com a opção e decisão da Igreja nesta matéria, formulada pelo Papa Francisco no discurso de 21 de dezembro aos membros da Cúria Romana:
«No próximo mês de fevereiro, a Igreja reiterará a sua firme vontade de prosseguir, com toda a sua força, pelo caminho da purificação. A Igreja, valendo-se também da ajuda dos peritos, questionar-se-á como proteger as crianças; como evitar tais calamidades; como tratar e reintegrar as vítimas; como reforçar a formação nos seminários. Procurar-se-á transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo não só do corpo da Igreja mas também do seio da sociedade. Com efeito, se esta calamidade gravíssima chegou a enredar alguns ministros consagrados, perguntamo-nos quão profunda poderá ser ela nas nossas sociedades e nas nossas famílias? Por isso, a Igreja não se limitará a curar-se, mas procurará enfrentar este mal que causa a morte lenta de tantas pessoas a nível moral, psicológico e humano.»

Esperemos que deste encontro saiam orientações e indicações ainda mais práticas e concretas para se erradicar a tragédia dos abusos sexuais de menores na vida da Igreja, gerando cada vez mais uma mentalidade da plena defesa da dignidade de todo o ser humano.