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«Escutar pressupõe o desejo de chegar ao outro»
24.01.2022
O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, disse hoje que o jornalismo deve promover a «escuta da realidade» e a «história» de cada pessoa. D. João Lavrador, que apresentava a mensagem do Papa para o 56.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, divulgada esta manhã, pediu uma Comunicação Social «atenta», para evitar um jornalismo de «gabinete, sensacionalista, de opinião ou de redes sociais».

 
A sessão decorreu no edifício da Reitoria do Santuário de Cristo Rei, Almada, com organização da Comissão Episcopal da Cultura Bens Culturais e Comunicações Socais e a Diocese Setúbal, e foi o mote para uma conversa com Paula Moura Pinheiro, jornalista, Augusta Delgado, Comissão Preparatória do Sínodo Diocesano de Setúbal 2025 e do Sínodo dos Bispos 2023 e João Marques, do Comité Organizador Diocesano de Setúbal para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, sobre a mensagem do Papa Francisco, que assenta na escuta.
 
Paula Moura Pinheiro, que apresenta o programa Visita Guiada, explicou que, «quando visitamos monumentos, aplicamos a escuta». «Queremos interrogar as pedras para chegar às pessoas, à sua história».
 
A jornalista considerou que «a vontade de escutar é decisiva». «Escutar pressupõe o desejo de chegar ao outro, de ligação ao outro», sustentou.
 
Catequista com anos de experiência, Augusta Delgado falou da experiência de escuta que tem sido o Sínodo dos Bispos em Setúbal. Elogiou as dinâmicas de escuta que a diocese tem conseguido dinamizar nesta fase, «mesmo os que est~ão de fora» das estruturas da Igreja.
 
Esta responsável explicou que esta é uma «escuta que não pretende apenas chegar a Roma». «Esta escuta tem o propósito de aquilo que for escutado ter impacto nas comunidades paroquiais, porque só esta escuta de coração vai permitir transformar e converter as nossas paróquias», afirmou.
 
João Marques, por seu lado, falou de uma experiência de escuta onde os jovens já são ouvidos, mas poucas vezes são tidos em conta quando é preciso «tomar decisões». «O caminho de transformação já começou, mas é lento, progressivo, e demora algum tempo. Nas diferentes realidades que vamos encontrando, sentimos que há uma maior abertura para a escuta dos jovens, mas não sei se o que têm a dizer é tido em consideração na hora de tomar decisões e definir estratégias», argumentou.
 
Para este responsável, «a escuta é um desafio para a juventude hoje em dia». «É um grande desafio ouvir os jovens, e que os jovens ouçam os outros, e em relação aos jovens da Igreja, que têm uma missão de evangelização, também é muito importante ouvir, porque o afastamento da Igreja muitas vezes resulta destes jovens não se sentirem ouvidos», concluiu.

D. José Ornelas, bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, fechou os trabalhos falando aos presentes sobre a «importãncia do ouvir». «A palavra que se escuta é uma palavra que transforma. Não podemos ignorar. Depois, não basta ouvir. É preciso narrar e dar sentido a isso, pois importa o que se ouve», defendeu o prelado.





Papa denuncia «infodemia» que desvaloriza a imprensa
 
A mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais 2022 tem como título ‘Escutar com o ouvido do coração’. Francisco alerta para uma «infodemia» que desvaloriza o papel da imprensa, apelando à valorização da «escuta», que acrescenta «credibilidade e seriedade» à informação. «A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à ‘informação oficial’, causou também uma espécie de ‘infodemia’ dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação», refere, na mensagem.
 
O Papa defende que «é preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas», acrescenta.
 
Francisco destaca, a este respeito, o papel da escuta na superação dos preconceitos contra os migrantes, convidando todos a «ouvir as suas histórias» de pessoas concretas. «Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias», apela.
 
A mensagem apresenta a escuta como o «primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação». «Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar», pode ler-se.
 
A mensagem critica quem procura «ridicularizar o interlocutor», mesmo dentro da Igreja, falando ainda numa «surdez interior», na vida de muitas pessoas. «Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes», escreve o Papa.
 
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