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Este ano, o 13 de maio em Fátima é sem peregrinos
06.04.2020
O Cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima, anunciou hoje que a peregrinação aniversária do 13 de maio será realizada sem a presença de peregrinos, pela primeira vez na sua história, desde que Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três pastorinhos em Fátima, em virtude da pandemia de Covid-19 que afeta o país e o resto do mundo.


Numa mensagem vídeo divulgada pelo Santuário de Fátima, de forma emocionada, o prelado fala «com o coração em lágrimas, porque sei da importância deste momento, em particular para tantos milhares de peregrinos que aqui vêm em busca de um alimento, de conforto e de paz para o ano inteiro», para dizer que é «um ato de responsabilidade pastoral e também um profundo ato de fé».

O Santuário escreve na sua página que, «embora o programa da Peregrinação não esteja decidido na sua totalidade, na noite do dia 12 de maio será recitado o rosário, com o lucernário e, no dia 13 de maio, será celebrada a missa internacional», e que as celebrações serão transmitidas «através dos meios de comunicação social, nos moldes habituais, permitindo que milhares de pessoas possam acompanhar as celebrações peregrinando a partir de casa». Habitualmente, as celebrações são transmitidas na televisão em canal aberto pela RTP e TVI, e no cabo pela Canção Nova, sendo que este ano serão também transmitidas pela internet, confirmou o gabinete de imprensa do Santuário de Fátima à Família Cristã.

Neste sentido, D. António Marto sustentou, na sua mensagem, que, «mesmo estando em nossas casas viveremos esse momento em espírito de peregrinação». «O Recinto do Santuário estará vazio, mas não deserto. Ainda que separados fisicamente, estaremos todos aqui espiritualmente unidos como Igreja com Maria, de modo intenso, com o coração cheio de fé», defende o prelado.

O bispo de Leiria-Fátima confirma que a decisão é preventiva, para evitar possíveis contágios. «Peço a todos que compreendam que, em virtude da pandemia e da necessidade de evitar a propagação do vírus, esta é a única decisão sensata e responsável que poderíamos tomar. Não podemos correr riscos! Não podíamos de modo algum permitir que o nosso Santuário se tornasse centro ou foco de contágio para o país e para o mundo», acrescenta ainda.

Assim, justifica esta decisão com o «respeito pelos próprios peregrinos, por todos nós, pelo bem comum da saúde pública e reflete a nossa fé de cidadãos responsáveis e solidários». «Este tempo ordena-nos que fiquemos em casa», apela o bispo de Leiria-Fátima.

O «hospital de campanha» que voltará a ficar cheio
O Cardeal António Marto deixa uma palavra aos mais de 180 grupos de peregrinos que tiveram de cancelar a sua peregrinação, referindo que estas alterações são um momento difícil para o Santuário «porque não pode acolher peregrinos, que são a razão de ser deste grande hospital de Campanha que ajuda a sarar tantas feridas...», e deixa uma palavra aos doentes, aos idosos e a todos aqueles que durante todo este tempo têm sido privados da participação na Eucaristia. «Hoje vivemos todos como Jesus no Horto das Oliveiras. A nossa alma está triste e devemos vigiar porque os tempos são difíceis, como hão de ser difíceis os tempos que se avizinham. Agora é tempo de curarmos e estancarmos a doença; teremos também tempo para fazer contas, muitas contas à vida. Agora é a hora da solidariedade e da esperança. Lembremo-nos que para nós, cristãos, não há Sexta feira santa sem Páscoa. Mas a Páscoa vem e traz-nos a certeza de que Deus nunca nos abandona», afirma D. António Marto na mensagem.

É por isso que o prelado diz aos peregrinos que a peregrinação a Fátima não fica cancelada, mas sim apenas adiada. «Não poderemos peregrinar em maio, mas poderemos fazê-lo noutra altura. Aliás, devemos fazê-lo noutra altura em ação de graças», defendeu, adiantando que, agora, o tempo é de oração «por nós, pelas vítimas diretas e indiretas da pandemia, pelos cuidadores, pelos mortos e pelos familiares em luto, pelos nossos políticos para que saibam tomar as melhores decisões para as nossas vidas».

Em baixo pode ler a mensagem do Cardeal António Marto.
 
Texto e foto: Ricardo Perna


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