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Eutanásia: dúvida inquietante
20.03.2016
Para se poder abordar o tema da eutanásia é fundamental saber o que é a vida e o que é a morte. E infelizmente quando se debate sobre este tema, isto não acontece.

A eutanásia não é um gesto de humanidade nem um ato de compaixão, mas um projeto que põe em discussão a profissão médica e a ligação simbólica entre as gerações.

Os médicos, diante de um doente, têm não só o dever de não se renderem à morte, mas a obrigação de dar esperança, confiança, coragem e força aquele mesmo doente para lutar. E mesmo quando a sua vida estiver perto do fim, os médicos deveriam transmitir aos doentes o sentido mais profundo do seu “ofício”, que é aquele de cuidar em todos os sentidos daqueles que neles confiam.

Vários estudos comprovam que quase nunca é o doente a pedir para pôr fim à sua vida, mas as pessoas saudáveis que a rodeiam e não suportam o confronto direto com o sofrimento e a morte, que desperta neles os medos ancestrais e mina um certo comodismo a que nos fomos habituando.

Numa sociedade em que existem cada vez mais anciãos, mais pensões para pagar, mais cuidados a serem prestados, menos contribuintes (porque não aumenta a natalidade e sobe o desemprego), menos dinheiro no Estado, poderá haver o perigo e a dúvida inquietante de que a eutanásia possa vir a ser uma solução económica, uma resposta técnica a um problema prático, escondida num “digno” pedido de morrer com dignidade.