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Eutanásia: membro do Conselho de Ética para as Ciências da Vida dá razões do não
20.02.2020
Filipe Almeida é membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, presidente da Comissão de Ética do Centro Hospitalar Universitário São João e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e médico pediatra. Falou à FAMÍLIA CRISTÃ sobre as Jornadas de Cuidados Paliativos que vão decorrer em março em Lisboa e Fátima. Com a discussão da legalização da eutanásia e do suicídio assistido em cima da mesa, a pergunta sobre este tema era inevitável. E o médico não tem problema em responder. Diz não ver na legalização «uma emergência social e, assim, justificação política para se adentrar, com a celeridade requerida, numa problemática tão delicada como a que toca o viver humano na expressão da sua máxima radicalidade: o confronto com a sua finitude». Filipe Almeida acha mais «útil» «discutir a organização social ara se poder responder responsavelmente ao sofrimento. «Reduzir o âmbito deste necessário debate à discussão da eutanásia é apoucar verdadeiramente o que, de muito profundo, habita no coração do ser humano», afirma.

D. R.

Membro do Conselho Científico do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, Filipe Almeida considera que a discussão em torno da eutanásia «não poderá ignorar a reflexão sobre a vulnerabilidade humana e sobre o exercício da autonomia, concatenada necessariamente com as suas indissociáveis dimensões da liberdade e da responsabilidade humana». Não o fazer é «deslocar inaceitavelmente o diálogo para os terrenos de um imediatismo que servirá interesses outros que não os do ser humano, particularmente quando doente». Este médico pediatra defende: «Centrar o debate da eutanásia na liberdade estiolante de uma autonomia desresponsabilizada é ferir o próprio debate por se tornar óbvia a incapacidade de responder eticamente ao repto da vulnerabilidade humana. E o ser humano doente necessita e merece mais do que balofos devocionismos plasmados em choradeira fácil.»
 
Texto: Cláudia Sebastião
 
 
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