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Vida Cristã
Fátima por... Pe. António Rego
15.02.2017
Pórtico jubilar
O Santuário de Fátima tem novos pórticos. O mais vistoso e completo, junto à Basílica da Santíssima Trindade. Nada de especial seria se não se tratasse de uma réplica do que assinalou, em 1917, o local das aparições. Fez bem o santuário em recriá-lo cem anos depois. Assim se tornou em Porta Jubilar de Fátima.
Estão quase a completar-se cinquenta anos sobre a primeira transmissão que fiz das celebrações de 12 e 13 de maio e outubro, pela rádio e pela televisão. Creio que nunca interrompi essa peregrinação nas ondas. Não me passou ao lado o rosto e a voz de cada peregrino que se fixava na imagem Nossa Senhora, quer na Capelinha das Aparições, quer no andor em diversos cortejos. A multidão não é uma amálgama de gente, mas a comunidade composta por cada peregrino irmanado no todo, que chegou das formas mais diversas e pelas razões mais recônditas. Sempre me comoveu esse estado de oração do povo e sempre o procurei transmitir sem pretender oferecer puro espetáculo do mais sagrado que se passa no íntimo de cada caminhante.

Fátima foi para mim, ao longo dos anos, dezenas de encontros, retiros, reflexões, cortejos, ícones, semanas de estudo, aprofundamento de temas de toda a ordem, escola ininterrupta de melhor aprendizagem de Deus, da Igreja e do mundo. E tive o privilégio de ver por dentro as principais iniciativas pastorais, o surgimento de arte religiosa contemporânea, a conjugação do litúrgico com o popular, e observar os vários ângulos deste todo. A reportagem televisiva, para além da transmissão direta, exige a visão no tempo em que acontece, na gravação que se regista e mais intensamente no que chamamos a montagem ou edição de imagem e som, que exige dezenas de horas, repetições e escolhas. Isso torna-se uma espécie de microscópio face a elementos que superficialmente vistos ou vividos nos deixariam escapar expressões essenciais do peregrino e do grande acontecimento que sempre constitui uma peregrinação.


Vi passar pobres e ricos, autoridades e movimentos, vários Papas, jovens, idosos, crianças e doentes, testemunhei a variedade de carismas que o Espírito difunde pela Igreja e por aqueles que pensam que estão fora dela, e surpreendo-me de tudo isto ter nascido a partir da aparição da Virgem a três crianças que não sabiam teologia e talvez não muito mais que as expressões simples que a catequese do tempo facultava. Mas ergueram um altar – altar do mundo –, foram um sinal de Deus e em duas palavras resumiram tudo o que viram e ouviram nas aparições de 1917: oração e penitência. Não era novidade. Mas foi dito e celebrado de forma diferente.

O peregrino é o grande continuador desta aparição da Virgem simbolizada no Pórtico Jubilar que Fátima ostenta cem anos depois das aparições.
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