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Fé na vacina
12.10.2020
Muito se tem falado das vacinas para a COVID-19 e grande é a fé que nelas se deposita. Os grandes laboratórios (AstraZeneca, Sanofi, Johnson&Johnson, Gsk, Pfeizer, Sinovac, Moderna, Inovio, CanSino, Universidade de Oxford) estão numa corrida contra o tempo para dar as respostas que todos esperam e que os políticos prometem.

Mas o desenvolvimento de uma vacina pode levar anos ou até décadas, pois normalmente uma vacina deve seguir várias etapas, primeiro no laboratório, depois testes em animais e só se for demonstrada que a vacina (ou melhor, a droga, o princípio ativo) é segura e pode provocar uma resposta imune, então é que se começa a testar nos seres humanos: primeiro em menos de 100 pessoas, a seguir até 500 pessoas, e por fim, para ser reconhecida mundialmente, em 30 000 pessoas. Por exemplo, a vacina contra o ébola demorou mais de 16 anos até à sua aprovação.

Dizer que uma vacina estará pronta ainda este ano ou em 2021 pode ser uma afirmação com contornos éticos que é fundamental decifrar. Jon Andrus, especialista em epidemiologia e imunização da Universidade George Washington, nos Estados Unidos da América, afirmou à BBC News que «é importante lembrar que não devemos esperar uma solução mágica. Devemos ser humildes e lembrar que nem sempre tivemos sucesso, que temos muitas doenças para as quais não encontramos uma vacina, apesar de trabalharmos nisso há décadas, como é o caso da sida (causada pelo vírus HIV)». «Por isso é tão importante que façamos o que podemos agora e adotar todas as intervenções de saúde pública: como manter o distanciamento social, usar máscaras, testar e rastrear casos e seguir as práticas de higiene.»

Não sejamos ingénuos, o que se está a experimentar é para gerar conhecimento (esta é a lógica do ensaio científico), não é para resolver os problemas de agora. Pois ainda não se conhecem os efeitos que estas “vacinas” produzem nos organismos humanos. Recordemos o que aconteceu, por exemplo, com a Talitomina, uma droga que entrou no mercado alemão em 1957, e se espalhou para o mundo, como um medicamento que podia ser comprado sem receita, usado inicialmente como um tranquilizante para melhorar o sono, depois passou a ser recomendado para as grávidas que sofriam de enjoos matinais. Dois anos mais tarde demonstrou-se que mais de uma centena de crianças tinha nascido com deficiências congénitas por causa deste medicamento. Só em 1962 é que o medicamento foi banido na maioria dos países da Europa e América do Norte, onde era comercializado, e nos anos 70 nos países da América Latina. E ainda hoje existem pessoas afetadas por causa dos efeitos deste medicamento. Talvez a crise do paradigma da ciência moderna é que não tem como fim último a vida!

Dos governos esperamos que defendam os direitos humanos de todos. Que neste caso é garantir que o objetivo final das vacinas seja a cura dos seres humanos e não os interesses económicos e políticos que estas possam gerar.

Estamos num tempo em que é necessário discernimento (a quem escutar e dar razão?): «As ideias discutem-se, a realidade discerne-se», terá escrito o cardeal Bergoglio em 1988. Recentemente, numa audiência-geral, o Papa Francisco alertou: «De uma crise não se pode sair igual, ou saímos melhores ou piores.»

E o discernimento servir-nos-á certamente para exercer o poder como serviço, para assegurar que a vida de comunidade defende a comunidade de vida, que as instituições estão ao serviço da vida, e que as políticas públicas são mais participadas por todos não apenas nos momentos eleitorais.