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Foi «comovente» ver a «devoção» dos jovens a Nossa Senhora de Fátima
31.01.2019
O Pe. Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, encabeçou a comitiva que acompanhou a visita da Imagem Peregrina nº1 ao Panamá para a Jornada Mundial da Juventude. Encontramo-lo de sorriso aberto, um dia depois de chegar de viagem, já de volta ao trabalho na reitoria do Santuário, porque «o jetlag é uma coisa que não me afeta», revela, divertido, ao chegar.


A Imagem Peregrina de Fátima acompanhou os jovens na Adoração ao Santíssimo, visitou uma prisão, um hospital oncológico, percorreu em procissão todo o recinto da Jornada para gáudio das centenas de milhares de jovens que ali estavam, visitou um dos bairros mais problemáticos da cidade do Panamá... Uma viagem que ficará «marcada na memória para o resto da vida» é o ponto de partida para esta conversa.
 
Que balanço é possível fazer desta, posso chamar-lhe, “aventura”?
Foi, de facto, uma aventura. O balanço, obviamente, é positivo, é mesmo muito positivo. Do primeiro ao último momento encontrámos surpresas, e surpresas positivas. Encontrámos, por um lado, uma recetividade incrível por parte das gentes do Panamá, uma devoção mariana incrível, e direcionada para Fátima, mas também encontrámos uma recetividade enorme por parte dos jovens presentes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Por outro lado, o programa era muito variado, e previa desde o momento apoteótico que é a presença na vigília da Jornada Mundial da Juventude, até aos momentos mais discretos do contacto dos fiéis e dos jovens com a Imagem na tenda do encontro ou nas várias igrejas em que a Imagem esteve exposta à oração. Foi um momento que nos surpreendeu porque a expressividade ou a forma como o povo do Panamá exprime a sua devoção é muito diferente da nossa, é de uma expansividade e espontaneidade muito maior, e também isso nos surpreende positivamente pela alegria, o entusiasmo, a devoção enorme que têm a Nossa Senhora. Foram dias muito intensos e não tenho dúvidas que, para qualquer um de nós que acompanhou esta visita da Imagem Peregrina, aquilo que vivemos nos ficará marcado na memória para o resto das nossas vidas.
 
Esta proposta de ter a Imagem Peregrina num JMJ foi nova. Poderá ser uma coisa para manter?
Não sei. O que podemos dizer é que a presença nesta JMJ no Panamá foi da iniciativa do comité organizador local, por convite do sr. Arcebispo do Panamá, que entendeu, tendo em conta a grande devoção do povo do Panamá a Nossa Senhora de Fátima, que estivesse presente a Imagem de Nossa Senhora de Fátima, peregrina entre peregrinos. Acolhemos esse convite com muito gosto, e também me parece que, sendo a próxima JMJ em Portugal, faz todo o sentido que essa ligação se mantenha. Não sei se necessariamente com a presença da Imagem Peregrina lá, tudo isso está em aberto, mas não temos dúvidas que muitos dos jovens que virão para a JMJ de Lisboa passarão por Fátima à procura do lugar onde possam expressar a sua devoção mariana.

Foram muitos os jovens que se deslocaram à Tenda do Encontro para a Adoração ao Santíssimo com a Imagem Peregrina de Fátima 
O programa contemplava não só momentos na tenda da adoração ou nas cerimónias, mas outros momentos mais discretos, mas muito significativos, como a visita a uma prisão e a um Instituto Oncológico, que nem teriam muito a ver com uma JMJ. Como é que esses momentos foram vividos?
Todo o programa foi organizado pelo Comité local. Eles pretendiam que o programa da visita da Imagem não fosse um programa paralelo à Jornada, e por isso procurou-se que Imagem estivesse na Tenda do Encontro, onde os jovens a pudessem ver, que muitas das visitas e procissões de velas que foram realizadas contassem com a presença dos jovens, que a Imagem estivesse presente na Vigília e em uma das catequeses, mas entendeu-se também desde o início que era importante dar um sinal de que a Imagem não iria apenas para esses momentos da Jornada, mas que a presença e peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima teria também outros momentos não diretamente relacionados com a JMJ, mas que dessem esse sinal, que o sr. Arcebispo deu logo na missa de abertura das Jornadas, da atenção aos excluídos, às periferias. Pretendia-se que a Imagem fosse sacramento, sinal, dessa atenção às periferias e aos excluídos.
 
Daí estas visitas “paralelas”, fora do programa da JMJ?
Daí a inclusão da visita ao centro penitenciário feminino, mas também a visita ao hospital oncológico, que ocorre já depois do encerramento da Jornada, que pretendia ser esse sinal de atenção àqueles que, no meio desta grande festa e destes momentos apoteóticos, são esquecidos ou não podem mesmo participar. Sem esquecer que esteve na Igreja de Nossa senhora de Fátima, no bairro El Chorrillo, que é um bairro particularmente problemático da cidade do Panamá, problemático pela pobreza, problemático pela violência, e onde se fez questão que a Imagem de Fátima estivesse também. Devo dizer que foi comovente perceber a forma como os mais pobres daquela sociedade se associaram a este momento e o viveram com uma intensidade e um entusiasmo incríveis.

O P.e Carlos Cabecinha com a Imagem Peregrina à chegada ao aeroporto 
Foi a primeira vez que acompanhou uma viagem da Imagem Peregrina?
Foi a primeira vez que acompanhei todo o programa de uma visita, de fio a pavio. Fi-lo por ser este enquadramento especial, e por ser a Imagem Peregrina nº1, aquela que habitualmente já não sai do Santuário e que desta vez saiu excecionalmente. Da parte da comitiva do Santuário, foram momentos muito marcantes, precisamente por percebermos e termos o testemunho desta enorme devoção a Nossa senhora de Fátima que acompanha e está patente por todo o mundo.
No momento da vigília, em que, depois da saída do Papa, a Imagem Peregrina sai do altar e da zona do grande palco e durante mais de hora e meia percorre em procissão o espaço em que estão os jovens em oração. Foi marcante ver a forma como os jovens assinalavam a passagem da Imagem de Nossa Senhora, manifestavam a sua alegria, a sua veneração a Maria, cantavam, dançavam, aplaudiam, foi algo comovente e tocante e que não podia deixar de nos tocar profundamente
 
É um reforço da universalidade da Mensagem de Fátima?
É sem dúvida um reforço da universalidade da Mensagem de Fátima. Como eu partilhava com os outros elementos da comitiva, ao passar pelo meio dos jovens, não assistíamos apenas à manifestação de uma genérica devoção mariana, era clara a referência a Fátima que ali aparecia. A Imagem Peregrina não era apenas identificada por todos como uma imagem de Nossa Senhora, mas concretamente com a Mensagem de Fátima, e isso a mim tocou-me especialmente, porque aquela enorme quantidade de jovens identificava imediatamente aquela Imagem de Nossa senhora de Fátima, e por isso essa ligação à Mensagem e ao acontecimento de Fátima estavam presentes também na consciência daqueles jovens.
 
Em 2022, a JMJ terá sempre de passar por Fátima...
Estou convencido que os milhares e milhares de jovens que virão à JMJ de 2022 quererão passar por Fátima e ter oportunidade de visitar e de rezar em Fátima. Nós fizemos uma experiência, na JMJ de Madrid, que foi ver os milhares de jovens que passaram por Fátima porque ficava perto de Madrid. Perto para quem vem de muito longe, perto para quem vem de países, estou a pensar no Brasil, em que a distância entre Madrid e Fátima é muito inferior a deslocações que eles têm de fazer no seu próprio país (risos). Por isso, Fátima era perto de Madrid, e estou convencido que sendo uma JMJ em Portugal, tendo como centro fulcral Lisboa, serão milhares aqueles que quererão visitar Fátima.
 
E há possibilidade de a Imagem, Peregrina ou a principal, acompanharem as celebrações em Lisboa?
Isso não nos cabe a nós dizê-lo, terá de ser uma opção e uma reflexão a ser feita pelo Comité local de organização, para perceber de que forma Fátima deve estar mais ou menos incluída no programa da própria Jornada. Da nossa parte a disponibilidade é total, como é óbvio.

A Imagem Peregrina recebida em festa à chegada ao Panamá

 
Texto: Ricardo Perna
Fotos: Ricardo Perna e Santuário de Fátima
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