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Fosso salarial entre sexos continua a aumentar
08.03.2018
O fosso salarial entre homens e mulheres cresceu em Portugal, entre 2011 e 2016, mais do que nos outros países da União Europeia. Os dados são do Eurostat. Esta diferença nas remunerações cresceu 4,6%, sendo, em 2016, 17,5%. Também a Comissão Europeia, no relatório do Pacote de inverno do Semestre Europeu, alerta para diferenças na empregabilidade. Neste âmbito, a diferença entre homens e mulheres atingiu os 6,8%, em 2016, mesmo assim abaixo da média europeia.

Foto: pxhere

Outros dados deste relatório da Comissão europeia dizem respeito à saúde. Portugal é um dos países com maior percentagem de desempregados entre os 15 e os 64 anos em risco de não terem acesso a cuidados médicos. O relatório Pacote de inverno do Semestre Europeu considera que houve «progressos limitados» no controlo das despesas de saúde, que considera ainda um problema. Só os hospitais devem cerca de 1200 milhões de euros. Pode ler-se no relatório que «os pagamentos em atraso continuam a aumentar, o que traduz as fragilidades dos mecanismos de controlo das contas e das práticas de gestão». Para mudar a situação, a Comissão Europeia aconselha «uma orçamentação rigorosa e equilibrada, controlos reforçados e a efetiva aplicação da Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso». O relatório salienta também que «os custos elevados e crescentes do envelhecimento demográfico continuam a constituir um risco para a sustentabilidade orçamental», criando riscos para as contas, nomeadamente com os custos do financiamento das pensões.

Em comunicado, o bastonário da Ordem dos Médicos afirma que «é lamentável o nosso país continuar a ser exemplo pelas piores razões». Além disso, Miguel Guimarães lamenta que se sucedam «as entidades que sublinham o constante subfinanciamento do Serviço Nacional de Saúde e o Governo insiste em ignorar os indicadores. O acesso à Saúde está hoje de tal forma fragilizado que não há mais como fingir que é urgente encontrar uma solução».

Foto: Comissão Europeia

O relatório aponta Bulgária, França, Alemanha, Irlanda, Países Baixos, Portugal, Espanha e Suécia registando «desequilíbrios económicos». Mas «para a Bulgária, França e Portugal trata-se de uma inversão da escalada de desequilíbrios excessivos do último ano». Ou seja, apesar de continuar a haver desequilíbrios, eles já não são excessivos. O Comissário Pierre Moscovici, responsável pelos Assuntos Económicos e Financeiros, Fiscalidade e União Aduaneira, salientou que «graças às reformas em curso e à recuperação económica, estes desequilíbrios estão a ser corrigidos, tornando a Europa mais forte. Isto é uma boa notícia! O número de países abrangidos por este procedimento tem vindo a diminuir desde o início da crise e hoje recompensamos os progressos realizados pela Bulgária, França, Portugal e Eslovénia com uma mudança de categoria positiva». Mesmo assim, este comissário afirma que «são necessários mais esforços em todos os países» e que «todos os governos devem esforçar-se mais para combater a desigualdade, o desemprego e a precariedade laboral».

Na área da educação, a análise não é ainda positiva. O relatório salienta que «o país continua a estar entre os países da OCDE com as mais elevadas taxas de repetições de ano, o que reconhecidamente aumenta o risco de abandono escolar precoce e pesa significativamente nas despesas com a educação». Ao mesmo tempo, o documento afirma que o nível geral de competências da mão de obra é dos mais baixos da Europa, e «cerca de 22% da mão de obra portuguesa carece de competências digitais (sobretudo porque as pessoas não utilizam regularmente a Internet), o que corresponde a cerca do dobro da média da EU».
 
Texto: Cláudia Sebastião
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