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Futebol que dá e tira
28.05.2018 16:00:00
Sou uma apaixonada por desporto. Gosto de ver quase tudo (talvez à exceção de golf) e vivo quase tudo: grito, pulo de alegria, ajoelho-me, solto «ais», levo as mãos à cabeça e tantas vezes à boca (para não me sair um chorrilho de coisas impróprias).
Para mim, o desporto é uma das áreas em que é mais visível a grandeza do ser humano, não só física, mas também, quase sempre, humanamente.

E o futebol (para mim, taco a taco com o basquetebol) é O campo onde tudo se passa e onde tudo se sente. Para o bem, mas sem dúvida, com muita pena, para o mal também.
Sem eu ter pedido e sem ter interveniência direta vivi, pelo menos 14 anos, dentro e por dentro, o futebol. É difícil explicar o misto de sentimentos daquela altura. Não é mentira, nem é frase feita quando alguém diz que o futebol “te dá tudo e te tira tudo”.

Dá-te uma felicidade e uma realização incomparáveis com a maioria das coisas e das profissões, dá-te uma capacidade de superação que te “move” os limites humanos, dá-te uma vontade, umas pernas e uma capacidade de suar a camisola que só um equipamento daqueles permite, dá-te amigos raros, companheiros de uma cumplicidade que não se encontra em mais lado nenhum, senão num balneário…dá-te a possibilidade de seres feliz e de acordares com objetivos, com apenas uma bola e um campo e de te esqueceres de tudo (e que é mesmo muito) o que abdicas em prol desse amor.
E não vês mais nada. Vives e respiras para aquilo, antes de tudo e antes de todos (muitas vezes, e quase sempre, com o sacrifício de todos os que te são queridos e te estão próximos).

Mas quando o futebol te tira, deixa-te um buraco escuro e um peso grande: quando falhas um passe, um golo, quando não travas uma bola, quando marcas um autogolo, quando perdes (ai senhores, quando perdes!) …quando te lesionas e não podes jogar, quando a lesão dura mais do que esperavas, quando não te convocam, quando a equipa perde também porque não estavas lá...o futebol tira-te tudo: a vontade de sair, de te mexeres, de te dedicares a alguma outra coisa… e tortura-te, mina-te a confiança, tira-te o sorriso…porque tudo o que queres é jogar.

É por isso que quando se passam coisas como as que temos visto, jogos de bastidores, exercícios de poder e um terrorismo que, «é chato», mas já nem é só psicológico, volto a sentir a contradição de sentimentos que o futebol provoca. É o desporto-rei, sem dúvida, mas está “governado” por pessoas que fazem dos estádios o pior e mais podre dos reinos para se viver. No fim de tudo, quem sofre é quem sua a camisola, quem joga dentro das quatros linhas, mas quem arca, física e psicologicamente com os danos que são provocados fora delas…e, ainda assim, teima em amar este desporto e só se vê feliz nele.

«É chato» que a maior parte do mundo institucional do futebol não mereça os jogadores que tem; mas mais «chato» ainda é que nele haja lugar para tanta gente espaçosa, a quem um campo e um tempo de jogo não chegam, até porque isso não é o importante…afinal, dentro de quatro linhas, onde é que iriam brilhar?

E agora, valha-nos o Mundial! Estamos convosco, rapazes!