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«Homem e Mulher os fez»
27.06.2019
A ideologia de género exerce uma pressão cada vez maior na sociedade que está a dificultar cada vez mais os pais e as mães, e os educadores, na sua missão.
É bom recordar que a questão de género nasce de correntes feministas americanas que, com alguma razão, denunciavam que alguns aspetos tipicamente culturais, como a subordinação feminina nas sociedades patriarcais, fossem aceites como se fossem “naturais”. Depois aconteceu que de um excesso passou-se para outro excesso, isto é, da pretensão ideológica de que tudo seja natural passou-se à reivindicação, igualmente ideológica, de que tudo seja cultural. E de que não existe algum limite ou vínculo nesta questão a quem tenha que se prestar contas. Chegou-se, então, à pretensão de fazer desaparecer a distinção sexual, impedindo que se reconheça o ser humano como homem e mulher.
Não podemos deixar que os adolescentes estejam sozinhos enquanto são bombardeados com mensagens perniciosas sobre a questão de género nas redes sociais, nas escolas, nos grupos desportivos, no grupo de colegas. Diz um provérbio africano que «para educar um filho é preciso uma aldeia». Aqui reside precisamente a questão: só a harmonia entre o que é distinto pode gerar e educar. O ser humano não pode transformar a sua origem porque não decidiu quem é e o que é destinado a ser: a vida é-lhe oferecida com um corpo sexuado, chamado à fecundidade que acontece na diferença e na reciprocidade. Se os pais deixarem de educar os filhos segundo os critérios masculino e feminino o resultado não será o respeito pela escolha em adulto do que quererá ser, mas uma grande confusão que o priva de coordenadas e referências para a sua vida. Aliás, a ausência ou o vazio no que diz respeito a valores nunca proporcionaram escolhas livres ou a liberdade.
Por isso, hoje, temos o grande desafio de trazer a reflexão sobre o género para um caminho de sentido existencial em vez de demonizar a questão em si, pois não se trata apenas de uma questão de revelação divina, mas também de natureza humana, conscientes de que a distinção sexual tem em si mesma uma profunda distinção relacional e é fundamento da família.
Porém este tempo também traz consigo a grande oportunidade de iluminar as raízes matrimoniais como um projeto de Deus para a Humanidade. E isto apenas será possível se esta identidade encontrar espaço na sociedade onde possa crescer em corpo e alma, homem e mulher, atingindo ao princípio da criação («Nunca lestes que o criador, desde o início, os fez homem e mulher?», Mt 19,4). E isto não é regressar ao passado, é construir o futuro, pois a Palavra de Deus é sempre luz para os nossos passos que nos guiam pelos caminhos da vida.
São palavras inspiradoras e de grande responsabilidade estas que o Papa Francisco dirigiu aos noivos que se preparam para o matrimónio: «O matrimónio é também um trabalho para realizar em cada dia, poderia dizer um trabalho artesanal, uma obra de ourivesaria, uma vez que o marido tem a tarefa de fazer com que a sua esposa seja mais mulher, e a esposa tem o dever de fazer com que o marido seja mais homem. É preciso crescer também em humanidade, como homem e como mulher. É isto que deveis fazer entre vós. E isto chama-se crescer juntos.» (Praça de São Pedro, 14-02-2014)
Hoje a família tem um grande desafio que é também o desafio sobre o futuro da Humanidade, que vai para além das várias conotações que se dão à família. O que verdadeiramente está em jogo é o destino da Humanidade. E parece que Deus colocou a Igreja neste tempo com uma missão e responsabilidade tão grande quanto bela: ao mesmo tempo que vê e acompanha muitos casais, que todos os dias dizem entre si «com licença, obrigado, desculpa», de acordo com as palavras do Papa Francisco, renovam a sociedade.