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Idadismo é a nova tendência
27.10.2021
Depois do racismo e do sexismo, o idadismo é a terceira forma mais habitual de discriminação. É difícil de identificar, pois há ainda tanto desconhecimento sobre o assunto que nem nos apercebemos que ao dizer que “estás bem conservado”, ou que “burro velho não aprende línguas”, estamos a criar desconforto naqueles cuja idade se sente afetada por estes conceitos.


 
O Joaquim, chamemos-lhe assim, tem um tio em casa que tem sintomas de demência precoce. Está bem, no entanto, e autónomo, embora às vezes se esqueça das coisas. Como tem receio de que ele possa sair à rua e perder-se, e “para o proteger”, decide que, ao sair de casa todos os dias, tranca a porta e impossibilita o seu tio de sair de casa. Aquilo que, até aos olhos da lei, pode constituir crime, para aquele familiar é, efetivamente, uma tentativa de proteger o seu tio.

«Não só há uma completa falta de noção de que isto constitui um atentado à dignidade da pessoa, como há ainda a ideia de que isto é para proteção da pessoa», lamenta Marta Carmo, técnica da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que nos contou este caso, saído da investigação que levou ao relatório «Portugal mais velho», que a organização publicou em outubro do ano passado, e que revela que as «perceções negativas do envelhecimento e os estereótipos associados às pessoas idosas conduzem, necessariamente, ao desrespeito pelos seus direitos, à exclusão e marginalização daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade, e, não raras vezes, a situações de crime e violência».
Texto: Ricardo Perna
 
Pode ler este artigo na íntegra da revista FAMÍLIA CRISTÃ de setembro.
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