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Influenciadores: os líderes de opinião «online»
28.10.2019
A internet não criou apenas modos novos de ligação à informação. Fez também surgir uma nova comunidade de cidadãos (de figuras públicas ou meros desconhecidos), denominados por influenciadores (influencers), que através de publicações narram a sua história de vida diária de uma forma atrativa para os seus seguidores.

Normalmente, estes influenciadores têm sempre uma história divertida para contar, são pessoas que dão a cara ao mundo através dos seus vídeos, porém exageram muito no modo como expõem as suas emoções. São muitas vezes também conhecidos como youtubers, bloggers, vloggers e instagramers, dependendo da plataforma que utilizam para chegar ao seu público-alvo. Estas pessoas são seguidas por milhares de utilizadores fiéis, na sua maioria adolescentes e jovens adultos, principalmente a geração Z: os nativos digitais.

Como o impacto dos influenciadores é tão grande e vasto, exatamente porque partilham intimidades e estão sempre em contacto direto mesmo que seja atrás de um ecrã, eles acabam por ser líderes de opinião online e são tidos como verdadeiros ídolos, servindo de modelo e exemplo para quem os segue.

Mas o que está por detrás de tudo isto? Na verdade, a publicidade e os influenciadores andam de mãos dadas e por isso têm benefícios mútuos. Por um lado, as empresas pagam aos influenciadores para sugerirem e recomendarem os seus produtos, aumentando assim o seu volume de vendas através de campanhas repletas de sucesso. Por outro lado, os influenciadores recebem das marcas o benefício monetário que os ajuda não só a continuarem a sua atividade, mas também a aumentarem o seu prestígio e eventualmente a ganhar a sua vida.

Para se entender o alcance desta parceria podemos dizer que os influenciadores são as “novas prateleiras de exposição” das marcas, os novos embaixadores digitais de publicidade e marketing do século XXI. Em terreno virtual, estas personalidades influentes promovem e comunicam marcas, espalhando online mensagens positivas sobre os produtos. Importa, no entanto, acrescentar que esta influência só é permitida devido à proximidade que os influenciadores criam com os seus seguidores. Há, pois, uma relação muito estreita entre eles. Para os jovens, as opiniões manifestadas nestas comunidades de marca são determinantes na sua tomada de decisões. Em termos de modelo a seguir, estes jovens só têm à frente os familiares e os amigos.

Os cinco minutos de fama dos influenciadores cresceram em tal proporção nos últimos tempos que quando se pergunta numa sala de aula às crianças o que é que querem ser quando forem grandes, há quase um uníssono: «Quero ser um youtuber.» Só que como devem imaginar, existem desvantagens e, por isso, é preciso manter as nossas crianças, os nossos adolescentes e os nossos jovens bem informados e atentos a este tipo de tentativa de aliciamento e persuasão.

A minha sugestão é que procurem conversar com os vossos filhos sobre estes assuntos. Mostrando que o ter – o consumir só porque sim – nem sempre é sinónimo de felicidade. Além de que está ao alcance de qualquer um escolher que tipo de perfis quer ver no seu feed. Sejamos, pois, pais atentos também no ambiente virtual e orientemos os nossos jovens a pensar por eles próprios e a desenvolver o seu espírito crítico.
Imagem de Gerd Altmann por Pixabay