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Isabel Capeloa Gil defende referendo à eutanásia
10.02.2020
A reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP) defende um referendo à legalização da eutanásia. Em entrevista à FAMÍLIA CRISTÃ, Isabel Capeloa Gil afirma que «no atual quadro político tem de ser dada voz às populações. O atual quadro político é profundamente enviesado naquilo que é a decisão que se vier a tomar. E são decisões que são porventura irreversíveis». A reitora da UCP salienta que é uma posição pessoal, mas crê que «não é uma discussão pública, está a ser tratada como um assunto de resolução parlamentar, à revelia da população portuguesa» e acrescenta que «a questão da eutanásia não foi um assunto central nas últimas eleições legislativas. Estava no programa político de alguns partidos, mas não foi uma questão de campanha e não tendo sido uma questão de campanha». «Parece-me absolutamente abstruso que uma decisão que pode representar uma cisão civilizacional seja decidida sem uma discussão alargada na sociedade portuguesa», defende, falando a título pessoal.

Isabel Capeloa Gil, durante entrevista à FAMÍLIA CRISTÃ.

Isabel Capeloa Gil defende que é preciso encontrar e criar locais «em que estas matérias possam ser verdadeiramente discutidas e ser discutidas além das questões de crença e de afirmação da visão católica do mundo que é a que nós temos». Uma discussão que atenda e entenda a parte social e económica da legalização. «Há implicações tremendas associadas à chamada morte doce que podem ter que ver nomeadamente com razões economicistas e são razões de profunda fragilidade social. O fim da vida é o momento em que cada um de nós deve ser mais acompanhado. Como se pode fazer uma discussão sobre uma matéria que é meramente uma racionalização da morte, uma industrialização da morte, sem se fazer uma discussão séria e sobre acompanhamento de doentes em fim de vida!? Um país que não faz uma discussão e que não investe de forma clara e substancial numa rede estruturada às populações de cuidados paliativos e de acompanhamento de doentes em fim de vida! É muito mais fácil uma solução racional de aprovação de uma lei deste tipo. Esse tipo de discussões são discussões que ultrapassam em muito a questão religiosa. Têm que ver com a realidade quotidiana da experiência das pessoas não está a ser feita.»
Neste vídeo, pode ver um resumo da opinião de Isabel Capeloa Gil:
 
A reitora da Universidade Católica Portuguesa entende que a legalização da eutanásia é um tema que não assume as divisões partidárias habituais. «Não se trata de uma divisão entre esquerda e direita. Esta é uma matéria da vida das pessoas que numa situação limite é necessário haver esclarecimento», afirma. Daí que, pessoalmente acredite que é preciso ultrapassar a ideia de não se referendar a vida. Admitindo que esta questão do referendo divide a Igreja, é pragmática na sua visão. «Eu acredito que em determinadas questões nós temos de ultrapassar o dogma. Para quem é católico a vida naturalmente não é referendada. Mas nós estamos a falar de uma realidade concreta e prática. E do ponto de vista pragmático, o referendo é a única possibilidade de dar voz às populações e de haver um debate esclarecedor, coisa que não está a acontecer e que provavelmente não irá acontecer.»

Estas declarações foram proferidas no âmbito de uma entrevista, cujo outro excerto foi publicado na revista FAMÍLIA CRISTÃ de fevereiro de 2020.
 
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos e vídeo: António Miguel Fonseca
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