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Vida Cristã
Jesus usaria máscara?
14.04.2021
Neste século XXI mantém-se uma enorme catástrofe sobre a Humanidade. Atinge todos os países do mundo, mexe com os políticos, com os profissionais de saúde, com todas as estruturas de saúde dos diversos países que se pretendem defender deste mal generalizado. Reúne cientistas para eventuais tratamentos ou para a descoberta de vacinas eficazes. Este drama que se espalhou sobre o mundo, de uma forma universal, chama-se covid-19.

À ministra da Saúde e à Direção-Geral de Saúde (DGS) pertence o dever de manter permanentemente informada a população sobre as atitudes a tomar: lavagem de mãos, uso da máscara, distanciamento social. Em situações mais difíceis da expansão desta pandemia, a DGS tem  pedido por vezes o confinamento total ou parcial, conforme as situações o exigem. O  confinamento total foi pedido pelo presidente da República, ouvidos os cientistas, a Assembleia da República e todos os responsáveis pela saúde em Portugal, em março de 2020 e agora em janeiro de 2021. Estas normas são universais e são pedidas pelo presidente da República no caso português.



Perante este movimento com a responsabilidade de todos os agentes políticos e sociais, toda a população deve respeitar os limites que a pandemia provoca. No entanto, a DGS ou a ministra da Saúde não têm por si só, automaticamente, que dar orientações às religiões e às suas diversas liturgias. Compete sim às religiões, Igreja Católica e outras, interpretarem o que a DGS pede para toda a população. Desta forma, a Igreja Católica antecipou-se e, em diálogo com as autoridades sanitárias, achou que deveria ter recomendações claras e específicas para as grandes liturgias. O pronunciamento da Conferência Episcopal, única entidade que regula as atitudes litúrgicas da Igreja Católica, é muito claro. Em março a Conferência Episcopal Portuguesa proibiu casamentos, batizados e crismas e reservou as celebrações para o âmbito da comunicação virtual. Mais tarde, também com o acordo da DGS, a Igreja aceitou as celebrações presenciais das Eucaristias com regras muito atentas no número de pessoas, na desinfeção das mãos, na comunhão na mão, e muitas outras orientações para a Missa presencial. A Conferência Episcopal tem o exclusivo para orientar estas atitudes. Falar com a DGS não é transferir para as entidades de Saúde a reflexão que só à Conferência Episcopal pertence. Perante o confinamento tal da população, a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu reduzir todas as liturgias aos meios de comunicação virtuais. Nestas decisões a Conferência Episcopal Portuguesa seguiu as orientações dadas pelo Papa Francisco para a Igreja Universal.

Os cristãos, nas suas liturgias, devem ser solidários com toda a população que está sob a ameaça desta pandemia, mostrando assim uma enorme solidariedade para com todos, sacrificando mesmo as liturgias presenciais, sobretudo a Eucaristia. Nas liturgias virtuais não é possível que alguém se aproxime da comunhão, mas isso é também um sinal de muito amor a todos, evitando riscos que a Igreja Católica não pode correr. Estas posições são constantemente reafirmadas pela Conferência Episcopal Portuguesa, recomendando a comunhão espiritual indicada pelo Papa Francisco. A vida dos cristãos é voltada para os outros e a Igreja sabe que se sente mais próxima de todos.

Por Mons. Vítor Feytor Pinto
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