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JMJ Lisboa vai custar mais de «50 milhões de euros»
14.11.2019
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Manuel Clemente, anunciou hoje em conferência de imprensa que a Jornada Mundial de Juventude que terá lugar em Lisboa em 2022 terá um orçamento estimado de mais de 50 milhões de euros. «Será para cima de 50 milhões de euros», revelou aos jornalistas, explicando que a estimativa está baseada nos custos das jornadas anteriores noutros países. «São números que chegam de outros países organizadores, e esperamos que uma parte seja reembolsada pelas inscrições, para que alguns ajudem os que não podem vir a estar cá».

 
Em termos de inscrições, o custo no Panamá estava definido entre os 95 e os 250 dólares, pelo que, a uma média de 150 euros por participante, seriam necessários cerca de 300 mil participantes inscritos para colmatar este valor. Apesar de serem esperados cerca de 2 milhões de jovens nas celebrações principais, o número de inscritos para toda a Jornada é sempre inferior a esses valores.
 
O presidente da CEP não confirmou se haverá apoios financeiros diretos do Estado à organização, mas disse que o apoio está garantido pelo menos nos custos indiretos, como transportes, logística e outras matérias. «Sem autorização empenhada do estado português, isto nunca seria possível. Para apresentar a candidatura tive de perguntar às autoridades do estado e às autarquias se estavam interessadas, porque isto é mais que um evento religioso», afirmou.
 
Neste sentido, revelou o desejo de que a zona que será o ponto central para as principais celebrações, na Mar da Palha, possa sofrer uma requalificação «parecida com o que sucedeu há 20 anos com a Expo, que reabilitou toda uma zona».
 
D. Manuel Clemente mostrou-se também muito satisfeito com as «centenas» de pessoas que se inscreveram para participar no concurso do logotipo, «30 a 40% vindos da América Latina», sem revelar quantos se tinham inscrito para o concurso do hino.
 
Para o próximo Domingo de Ramos está marcado para o Vaticano a entrega, da parte do Papa Francisco, da Cruz das Jornadas e do Ícone das Jornadas, a uma representação portuguesa que contará com «200 a 300 pessoas de todo o país», revelou D. Manuel Clemente. Após a entrega, terá início uma peregrinação da Cruz e do Ícone por todas as dioceses portuguesas «e eventualmente por dioceses espanholas e algumas africanas, que demonstraram muito interesse em participar», revelou o presidente da CEP.
 
Nova edição portuguesa do Missal Romano
A Assembleia Plenária da CEP aprovou também a nova edição do Missa Romando, que seguirá o novo acordo ortográfico. «Os Bispos manifestaram profundo agradecimento à Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade, ao Secretariado Nacional de Liturgia e a todos os colaboradores que levaram a bom termo este longo e minucioso trabalho, tão relevante para a celebração da liturgia em Portugal e nos Países lusófonos», pode ler-se no comunicado final.
 
Aos jornalistas, D. Manuel Clemente explicou que esta edição procura «corresponder à nova edição que a Santa Sé fez do missal Paulo VI no melhor português que conseguimos encontrar para ser fiel à edição original e à nossa língua». Sobre a polémica lançada há alguns anos sobre a formulação do rito da consagração, que na versão portuguesa está traduzida como «por vós e por todos» e se pondera alterar para «por vós e por muitos», D. Manuel Clemente referiu que se mantém a versão que já havia porque «em português não é a mesma coisa» que noutras línguas. O documento será agora enviado a Santa Sé para aprovação.
 
Arcebispos de Braga para Doutores da Igreja
A Assembleia aprovou a proposta para que se inicie o processo das causas de declaração de São Bartolomeu dos Mártires e São Martinho de Dume, antigos arcebispos de Braga, como Doutores da Igreja. «Quando alguém propõe que seja aceite como autor de boa doutrina que precisa de ser transmitida, isso tem de passar pela conferência episcopal do país de onde essa católica veio. Qualquer um deles são belíssimos autores cristãos que merecem ser lidos e temos muito a aprender com eles», concluiu.

 
Texto e fotos: Ricardo Perna
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