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Jovens: liberdade e autonomia
15.02.2021
É curioso observar que existem certas perguntas que todos nós fazemos em algum momento das nossas vidas. E, se não as fizermos no devido tempo, no tempo ótimo – enquanto somos jovens, a própria vida encarregar-se-á de nos fazer ponderar sobre elas um pouco mais tarde. Essas inquietações são: Quem é que eu sou verdadeiramente? Ou, como posso ser eu próprio?
Por vezes, na sociedade em que vivemos somos confrontados com numerosos juízos de valor, o que leva a que a autenticidade da pessoa seja basilar. Para observar esta verdade basta entender a identidade como uma construção específica da pessoa e das subjetividades que a definem, que pode ser observada no tipo de relações que estabelece. Tão essencial para a identidade humana é ser como são os modos de estar.

Mas, infelizmente assistimos a algo tão óbvio quanto enraizado, os jovens são frequentemente guiados pelo que pensam que devem ser e não pelo que realmente são. A grande maioria deles funciona sob crenças que os bloqueiam e esgotam perante a mudança e a incerteza. E, tudo aquilo que têm de fazer é, simplesmente, conhecerem-se bem e não terem medo de olhar para o seu «eu» interior. Este facto incontornável não é nenhuma novidade. Entendemos que a construção da personalidade tem de ser um desenvolvimento humano integral, uma tarefa de melhoria contínua, um trabalho de esforço e luta para ultrapassar as limitações e, sobretudo, estar empenhado em forjar hábitos de vida estáveis que permitam atingir um grau de maturidade tal, que cada jovem se torne dono do seu futuro. Para serem originais e criativos, com capacidade de se governarem a si próprios, estabelecer relações e procurar um sentido nas suas vidas.

Do manancial de temas de vida cabe-nos hoje abordar a Independência / autonomia. Ser autónomo é sermos nós próprios, com uma personalidade exclusiva, diferente da dos outros, com capacidade individual para pensar, sentir, tomar decisões e agir e isso dá-nos a garantia de que temos a habilidade de não depender dos outros para nos sentirmos bem, para nos aceitarmos tal como somos na realidade e para termos a certeza de que nos conseguimos aguentar durante toda a vida.

Só que a autonomia é uma habilidade relacional que requer prática. E, claro, acompanhamento e paciência de um adulto. Mas nem tudo é mau, a boa notícia é que se pode ensinar desde a infância e em todos os aspetos da vida de uma criança. Para o fazer, é essencial reforçar a confiança nas suas capacidades. Desenvolver uma relação afetiva acolhedora, que lhes proporcione segurança sem os proteger em demasia. Fomentar um cuidado atento, adaptado à evolução das necessidades de segurança e autonomia que vão experimentando com a idade. Incrementar uma disciplina consistente, sem cair no autoritarismo, que os ajude a respeitar certos limites e a aprender a controlar o seu próprio comportamento. Tudo isto deve ser feito com constância, coerência, paciência e, claro, com muito amor. De qualquer modo no final da adolescência e início da idade adulta, se o processo tiver sido favorável, a maioria dos jovens alcançará autonomia psicológica (um sentido de si próprio que lhes permite tomar decisões, não depender da família e assumir papéis, privilégios e responsabilidades próprias dos adultos) e, dependendo das circunstâncias, independência física (a capacidade de deixar a família e alcançar o seu próprio sustento).

Não é exagerado dizer que os jovens reconhecem a autonomia como um direito alcançado, na medida em que, mostram um uso responsável do exercício das suas liberdades. E se a autonomia e a responsabilidade são inseparáveis, a primeira só se torna possível se o valor da liberdade garantir a possibilidade de escolha no leque das várias opções. Com o tempo, o jovem aprende a tomar decisões em consciência, as chamadas ‘boas decisões’ ponderando o valor do que quer alcançar (prós) e as consequências (contras) que podem acontecer, assumindo-as. As decisões que toma são importantes porque afetam todos os aspetos da sua vida conduzindo à definição de um projeto de vida autónomo.