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Kathleen Doherty: «Cada doente obriga-nos a compreender Deus»
02.11.2021
Kathleen Doherty é capelã no Hospital Universitário de Letterkenny, na região de Donegal, na Irlanda, e foi a primeira mulher a terminar o curso para capelães e a abraçar esta missão. Nesta entrevista fala-nos da sua experiência há mais de vinte anos na área e diz-nos porque é tão feliz neste trabalho pastoral.


 
 A Kathleen foi a primeira mulher a terminar o curso Clinical Pastoral Education para capelães. O que a motivou para fazer esse curso?
Fui encorajada a fazê-lo por um padre de uma paróquia em Dublin, onde fazia trabalho pastoral de visita aos doentes e levava-lhes a comunhão. Percebi que isso não era suficiente e que essas pessoas precisavam de outro tipo de assistência espiritual, e eu não estava preparada para isso. Então o pároco sugeriu-me que fosse fazer esse curso. Eu era a mais jovem nesse curso (em St. Vincent Hospital, em Dublin), porque geralmente eram padres e freiras já retirados ou de idade avançada, ou que tinham tirado um ano sabático e iam fazer essa formação. E nesse ano foi a primeira vez que na Irlanda houve mulheres a receberem a formação para capelães hospitalares.
 
Em Portugal, quando se fala de capelães pensamos logo em padres. Mas é leiga e capelã.
O que faz uma capelã leiga num hospital público como este em Letterkenny?

Na Irlanda, agora, nós os capelães somos considerados profissionais como qualquer outro no hospital. Temos qualificações profissionais e de capelania. Em qualquer hospital as pessoas respeitam-nos e confiam em nós. E descobriram que os capelães não têm de ser apenas os padres que celebram a missa e os sacramentos da pastoral dos doentes, porque existe um outro lado da capelania que tem que ver com o cuidar da espiritualidade e que os doentes melhorem ou sintam-se melhores. Os doentes chegam ao hospital com toda a sua realidade familiar, com as suas preocupações e medos, com as suas alegrias e esperanças; é o ser humano na sua totalidade que se apresenta no hospital para ser cuidado. Não é apenas a sua parte da doença que chega ao hospital, também estas dimensões necessitam de ser cuidadas. É aqui que entram os capelães, no acompanhamento espiritual, ajudando não apenas nos medos e na ansiedade mas em alguma questão que tenha que ver com a fé. É geralmente nestes momentos que muitas interrogações surgem e eles precisam dos capelães para falarem das suas questões pessoais com Deus e com eles próprios. Além da cura física, muitas vezes há necessidade também da cura espiritual. Posso dizer que esta experiência é um privilégio para nós, capelães, porque cada doente muda-nos, faz-nos aprender algo sobre nós mesmos, obriga-nos a procurar compreender Deus na vida dos outros. E este é o verdadeiro sentido da missão do capelão. É um trabalho árduo, porque nem tudo são rosas, e não é apenas uma questão de rezar com eles ou administrar-lhes os sacramentos (que são aspetos fundamentais das nossas vidas).
 
Entrevista e fotos: José Carlos Nunes
 
Pode ler esta entrevista na íntegra na edição de outubro de 2021 da FAMÍLIA CRISTÃ.
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