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Lembram-se que ainda há refugiados?
10.09.2020 12:04:00
Sabemos que vivemos numa era de espuma mediática, que vai e vem ao sabor da maré, trazendo novos assuntos e levando a que nos esqueçamos de outros que, já tendo estado na “crista da onda” mediática, hoje são esquecidos. Muitas têm sido as organizações não governamentais, os voluntários e as estruturas da Igreja, onde se inclui o Papa Francisco, que têm tentado continuar a chamar a atenção para a crise humanitária que se continua a viver nos campos de refugiados, estruturas “temporárias” que ainda hoje, quase 10 anos depois das primeiras vagas de refugiados que fugiram da Síria para a Europa, continuam a albergar, sem o mínimo de condições, milhares de pessoas que só queriam fugir da guerra e se viram obrigados a viver como animais, sem o mínimo de condições humanas.

Foto de Mstyslav Chernov
A União Europeia, e a comunidade internacional, que são, em parte, responsáveis pelas escaladas de violência nos países de origem destes refugiados, pouco ou nada têm feito para a integração destas pessoas nos países europeus, ou para providenciar um regresso seguro aos seus países de origem. Assim, continuam ali a viver milhares de famílias, sem quaisquer perspetivas de um futuro digno para os seus filhos.

A situação piorou (se tal ainda fosse possível) quando, há dias, a tentativa de isolamento de alguns refugiados infetados com COVID-19 levou ao atear de incêndios nos campos, destruindo as parcas estruturas de alojamento ali existentes, e levando os cerca de 13 mil refugiados do campo de Mória a refugiarem-se... numa autoestrada, já que o acesso à vila vizinha foi vedado pelas autoridades, por causa do possível contágio.

Este não é um problema para se resolver apenas amanhã, num plano de longo prazo que vai demorar uma eternidade a implementar. É agora, já, porque estas pessoas têm de dormir hoje, têm de se alimentar hoje. É preciso acolhê-las aqui, na Europa, ou assumir o seu regresso em segurança aos seus países. Continuarmos a deixar estas pessoas entregues à sua sorte e ao governo grego (que continua sozinho em toda esta situação) é que não pode ser mais...