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Luís Paulino Pereira pede «reestruturação necessária» do SNS
23.09.2021
O médico Luís Paulino Pereira defende uma restruturação do Serviço Nacional de Saúde (SNS). «Sou defensor nato do SNS e falo muitas vezes da restruturação necessária que ainda não foi feita», afirma. «Lamentamos que em setembro de 2021 ainda haja portugueses sem médico de família. Há portugueses de primeira, de segunda e de terceira. Os de primeira são os que têm médico de família; os de segunda os que tinham e deixaram de ter, como eu quando me reformei; os de terceira que nunca tiveram médico de família. É necessário investir na medicina familiar.» A crítica deste «médico por vocação» surgiu na apresentação do livro Vida plena, que reúne 50 crónicas publicadas no jornal Nascer do Sol.



Este médico, também colaborador da FAMÍLIA CRISTÃ, conhece bem a realidade uma vez que durante mais de 40 anos trabalhou como médico de família. Aí acompanhou famílias inteiras. Uma das suas críticas vai também para o modo como funcionam os lares de idosos. «Lares não são depósitos de idosos. São residências de idosos e as pessoas que lá estão têm o direito de serem tratadas com carinho e com amor», afirma. O médico deixa um apelo a todos: «Os idosos que lá estão precisam das nossas visitas. É a única coisa que os mantém ligados a esta vida.»

Guilherme d’Oliveira Martins apresentou o livro, destacando uma nota pessoal: «Acompanhou os últimos momentos do meu pai. Sou testemunha do seu cuidado e dedicação extrema.» Sobre o livro, Oliveira Martins disse que «vida plena é, para Luís Paulino Pereira, antes de mais a aceitação da imperfeição humana, mas a exigência do trabalho permanente para que sejamos melhores». Além disso, quis salientar que o livro «dá a compreensão de que precisamos uns dos outros» e que em saúde «o fundamental está na capacidade de olhar, ouvir e simultaneamente dar o conselho necessário». O administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian defende que isso é fundamental e necessário. «Temos nas nossas mãos a necessidade do cuidado, cuidar dos outros e perceber que a relação humana de respeito é fundamental», até porque «é indispensáveis compreendermos que somos próximos, somos irmãos».



Os direitos de autor do livro Vida plena, publicado pela PAULUS EDITORA, foram destinados ao Instituto de Apoio à Criança (IAC). Diz Luís Paulino Pereira que «as crianças estão cada veza mais expostas às intempéries da própria vida e acabam por pagar o preço das convulsões impiedosas da sociedade onde os valores se vão perdendo».

A presidente honorária do IAC, Manuela Eanes, prefaciou a obra e, na apresentação, salientou que «é um livro que nos pede projeto de vida, sonho e solidariedade».

A apresentação de Vida plena decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian e contou ainda com a presença do músico Miguel Gameiro, que cantou algumas das suas músicas.
Texto: Cláudia Sebastião
Fotos: Ricardo Perna
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