Precisa de ajuda?
Faça aqui a sua pesquisa
Lviv: «Todos os dias há filas para rezar à Virgem de Fátima»
23.03.2022
A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima está em Lviv desde o passado dia 17 de março. Desde essa data, em que se juntaram centenas de pessoas para acolher a imagem, que todos os dias se organizam filas de pessoas que querem ir venerar a Imagem e rezar a Nossa Senhora de Fátima. Isso mesmo nos testemunhou o Pe. Mariusz Krawiec, sacerdote paulista a residir em Lviv, na Ucrânia.

Foto @Santuário de Fátima 
O sacerdote encara estas filas como uma «prova de fé das pessoas». «A população ucraniana é muito ligada a Maria, a sua devoção é muito forte», uma ligação que toca particularmente Nossa Senhora de Fátima, a quem dedicaram três santuários católicos romanos no país, onde será feita a consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria na próxima sexta-feira, em simultâneo com o Papa Francisco.
 
O Pe. Mariusz refere, no entanto, que há ainda «muito medo» das pessoas saírem de casa, em especial os anciãos, senão seria «muito mais gente todos os dias». É este medo que impede que se façam grandes procissões ou celebrações públicas, «por causa dos possíveis bombardeamentos», ou que a imagem circule pela cidade ou por outras igrejas, conta à Família Cristã.
 
Um pormenor curioso sobre esta peregrinação é que a visita da Imagem Peregrina foi pedida pela igreja-greco católica, onde, por tradição, «veneram mais ícones do que imagens», conta o Pe. Mariusz, o que serve para atestar a importância que é dada a Nossa Senhora de Fátima. No entanto, diz, «apesar da igreja ser greco-católica, vão lá cristãos de todas confissões», garante.
 
Esta é, diz, uma «prova» da importância do catolicismo nesta guerra. Outra é o Papa Francisco, com quem o presidente ucraniano falou pela segunda vez recentemente. «O presidente não é católico, mas pediu a mediação da Santa Sé, pelo que isto significa que a pessoa do Santo Padre é importante também para os não católicos, é uma voz moral».

Foto © Arquidiocese de Lviv
 
Ato de consagração terá acompanhamento da população
Também por isso, o ato de consagração que irá ter lugar sexta-feira na Basílica de S. Pedro, na Capelinha das Aparições em Fátima e um pouco por todo o mundo reveste-se de maior importância para este povo. «As pessoas falam muito sobre esta consagração», garante o sacerdote paulista, e por isso a sua congregação decidiu distribuir gratuitamente um pequeno livro com a devoção dos cinco primeiros sábados, pedida pela Ir. Lúcia em Fátima, assim como a oração do Ato de Consagração que o Papa há-de proferir».
 
«Foram feitas 10 mil cópias, com a ajuda da Família Cristã de Itália, para serem distribuídas gratuitamente pela população. Quisemos distribuir porque este ato de consagração não pode ser apenas uma oração que se diz, tem de ter, na sua mensagem, uma intenção de oração, de conversão e de confissão», e para isso precisamos de conhecer melhor Fátima, e foi nesse sentido que quisemos dar o nosso contributo para que as pessoas conheçam melhor esta devoção e a possam usar».
 
Além disso, a novena de preparação para este Ato de Consagração, que está a decorrer no país, está a ser posta em prática pelas diferentes comunidades locais e nas famílias. «Sabemos que as igrejas não vão encher, por causa do medo da guerra, mas o importante é a presença espiritual no ato de consagração», defende o Pe. Mariusz.
 
O Ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia irá decorrer sexta-feira, dia 25 de março, na mesma data em que João Paulo II consagrou a Rússia em 1984. Em Roma, o Papa dará início a uma celebração penitencial, no fim da qual irá ler o ato de consagração, enquanto que, em Portugal, esse tempo será ocupado pela recitação de um Terço meditado, rezado em todas as línguas oficiais do Santuário, mais o ucraniano e o russo, no fim do qual o cardeal Konrad Krajewski irá ler o Ato de consagração como legado pontifício do Papa Francisco.

 
Texto: Ricardo Perna
Continuar a ler